Um dos líderes da paralisação de 2018, Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirma que os caminhoneiros devem parar se os governadores não recuarem nas medidas de isolamento social contra o novo coronavírus.
Ele se opôs aos atos do dia 15 de março, chamados contra o Congresso e o STF, dos quais participou o presidente Jair Bolsonaro. Mas agora mudou o tom. A falta de postos de gasolina e de restaurantes abertos na beira de estrada estão entre as principais queixas da categoria.
Buzinada – O principal alvo do setor é o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Se não voltarem atrás e não sair liminar na Justiça, a categoria provavelmente vai parar”, diz. Ele acusa o tucano de querer lucrar em eleições futuras. A associação entrou com ação contra a quarentena.
Na boleia – A relação com o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), por outro lado, é descrita como boa. Landim diz que conversam diariamente, quando passa um panorama dos ânimos da categoria ao ministro. O líder dos motoristas é protagonista em cerca de 850 grupos de WhatsApp, o aplicativo por meio do qual a categoria se agitou em 2018.
Zap – A secretários estaduais, traumatizados com o fervilhar do setor, Freitas tem dito que monitora cerca de 14 mil caminhoneiros em grupos de WhatsApp.
Mesmo ritmo – Agora em Brasília, o ministro Paulo Guedes (Economia) voltou para as entrevistas nesta terça (31), mas sem apresentar nenhuma nova ação da pasta. Governadores dizem que o governo está jogando. Reclama que as medidas restritivas prejudicam trabalhadores, mas tem poucas ações para ajudá-los.
Torcida – Criticado, o prazo fixado pelo governo, de 16 de abril, para liberar os R$ 600 a informais, está sendo considerado ambicioso no Ministério da Cidadania. É quando começam os pagamentos mensais do Bolsa Família, com o cadastro que já roda hoje com 13 milhões de famílias beneficiadas.
Andando – A liberação da ajuda, ainda não sancionada por Bolsonaro, depende de burocracias. Técnicos debatem com municípios como funcionará a inscrição de nomes no cadastro de beneficiários. Está em construção uma plataforma para o envio de dados. A ideia proposta ao governo é manter a plataforma aberta para inclusões durante a pandemia.
Oie – Em meio à turbulência política, a manifestação do vice-presidente, Hamilton Mourão, foi lida por políticos como um aceno para conservadores de que ele também continua sendo parte da direita brasileira. Ele comemorou o dia 31 de março dizendo que os militares intervieram “para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalavam as instituições e assustavam a população”.
Hole family – Em uma das postagens apagadas pelo Twitter, Jair Bolsonaro tinha cometido um engano. Ele escreveu que seu passeio ocorreu em Sobradinho (DF), mas ele esteve em Ceilândia (DF). A distância entre os dois locais é de cerca de 45 km. A confusão, segundo relatos, ocorreu porque o açougue visitado pelo presidente tem o nome de Sobradinho.
Obstáculo – No giro do presidente pelo comércio, outro acontecimento passou despercebido. Um carro do comboio presidencial bateu em outro que passava, quando tentava fechar uma rua.
Sem parar – O veículo atingido, um Fiat Uno, foi amassado na lateral. O carro do presidente, assim como os demais carros do comboio (exceto o que bateu), não parou. Bolsonaro estacionou uma quadra depois para conversar com um vendedor de espetinhos e defender que ele trabalhe.
Transparência – Após comemorar nas redes seu resultado negativo no mais recente teste de coronavírus, o general Augusto Heleno (GSI) apagou o documento que publicou. O papel tinha seu nome completo e o número do CPF. O ministro é chefe da inteligência no Brasil. Minutos depois, o exame foi postado novamente, desta vez com tarjas.
Sigilo – O presidente Jair Bolsonaro não mostrou até hoje o resultado dos dois exames que diz ter feito. O primeiro teste foi realizado no dia 12. Ele afirma que não contraiu a doença.
TIROTEIO
“A gente já tem um presidente que atrapalha. Agora, o líder do governo do Senado também faz o mesmo.”
De Rogério Carvalho (PT-SE), sobre o desempenho de Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) em meio ao atraso de votações.