Ao concluir missão que tomou como pessoal, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enviou recados explícitos ao Planalto. No discurso que selou a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, enalteceu o Parlamento, os partidos, seus líderes, a oposição e o STF.
Tudo o que o bolsonarismo abomina. Nenhum aliado dele crê que o governo vá dividir os louros da vitória. Por isso, a fala foi vista como o anúncio de que a Casa, agora, tem uma agenda para chamar de sua.
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Vou que vou – As linhas gerais dos próximos passos do Congresso foram delineadas também no discurso de Maia: reforma tributária e administrativa. Na véspera da votação, ele disse a um aliado que estava determinado a tocar a agenda de reformas, independentemente da relação com o presidente Jair Bolsonaro.
Sem tempo, irmão – Os detalhes desse macroprojeto do Congresso serão alinhavados durante o recesso. Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vão dedicar boa parte do período a isso.
Homem de ferro – Paulo Guedes (Economia) estava em uma reunião quando o resultado da votação na Câmara foi anunciado. Interromperam a conversa para avisá-lo. O ministro percorreu corredores parabenizando técnicos que trabalharam na proposta e estavam aos prantos, emocionados. Ele mesmo não chorou.
Foi-se – No início do ano, Maia e Guedes estavam em sintonia. Nesta quarta (10), no discurso que fez antes de anunciar a aprovação da reforma, o presidente da Câmara mencionou diversos integrantes do governo e do Congresso, mas não citou o nome de Guedes.
Desafinados – Assim que Maia concluiu o discurso enaltecendo a prioridade das reformas, integrantes do governo que atuam no Planalto e estavam no Congresso afirmavam que o projeto que está na ponta de lança do governo é o pacote anticrime do ministro Sergio Moro (Justiça).
Fins e meios – Autor da proposta de reforma tributária, cuja comissão foi instalada nesta quarta (10), o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) afirma que a previsão é a de que São Paulo perca arrecadação no início da mudança. E que isso é bom.
Fins e meios 2 – Segundo ele, ajuda a vender a reforma a estados que criticam a medida. A reorganização tributária fará com que todos ganhem no fim, aposta ele.
Que comecem os jogos – O ingresso público do prefeito de SP, Bruno Covas, no grupo de tucanos que cobra o afastamento do deputado Aécio Neves (MG) do PSDB mudou o patamar da pressão exercida sobre o mineiro. O governador paulista, João Doria (PSDB), hoje o grande cacique do partido, lavou as mãos e avisou que vai deixar o barco correr.
Com impressão digital – O secretário-executivo da Prefeitura de São Paulo, Gustavo Pires, foi o responsável por incluir na pauta de reunião do PSDB paulistano o pedido de expulsão de Aécio, na quinta passada (4). Pires é amigo e braço direito de Covas.
Prepara – Aécio recebeu apoio de dirigentes de outras legendas de centro e centro-direita. Os que estiveram com ele descreveram a ação da ala paulista do PSDB como desastrada. Quem conversou com Doria e com o deputado de Minas vaticina: “Essa história não vai acabar bem. Doria não vai recuar, e Aécio não é qualquer um”.
Vai ser no braço – O deputado de Minas, que já foi presidente do PSDB e candidato da sigla à Presidência, tem dito a aliados que, da forma como as coisas estão sendo conduzidas, não lhe resta opção a não ser resistir. Sair correndo, ele disse, segundo relatos, não é opção. “Se quiserem tirar, tirem”, resumiu um interlocutor.
Vai tu mesmo – Integrantes do Ministério Público Federal dizem que procurador Augusto Aras, que trabalha para ser o sucessor de Raquel Dodge no comando da PGR, ganhou o apoio nos bastidores de candidatos que ficaram de fora da lista tríplice votada pela categoria e são próximos ao ministro Sergio Moro.
Azarão – Aras não se inscreveu na disputa interna. Assim como Dodge, que tenta a recondução, ele tem buscado apoio em diversos setores do poder, como entre os militares, para ser nomeado por fora pelo presidente.
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TIROTEIO
Todos que tiverem problema por suposta corrupção têm que pedir para sair. O PSDB não é mais o mesmo
Do deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB-SP), líder do governo João Doria (PSDB), sobre a pressão para que Aécio Neves se desfilie