Às vésperas de decidir a amplitude dos vetos que deverá impor ao projeto que pune o abuso de autoridade, Jair Bolsonaro tentou acomodar posições divergentes. O presidente escalou o ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) para falar com a cúpula do Congresso: Rodrigo Maia (DEM-RJ), na Câmara, e Davi Alcolumbre (DEM-AP), no Senado.
Deste segundo, de acordo com aliados, recebeu uma lista com sugestões de artigos que poderiam ser limados sem abalar a relação com o Congresso.
Me ajuda a te ajudar – Aliados de Maia e Alcolumbre vivem a expectativa de que o presidente acolha as sugestões do Congresso e opte por um veto “meio-termo”: que atenda parte de sua base sem melindrar os partidos de centro e centro-direita. Algo muito amplo reforçaria a tese de que Bolsonaro “só joga para a torcida”.
Amostra grátis – Após o presidente afirmar, na manhã desta terça (3), que vetaria cerca de 20 itens do texto que pune o abuso, partidos rapidamente esboçaram uma reação. Em reunião à tarde, pediram ao governo que retirasse a urgência de projeto de lei que trata do pagamento de peritos judiciais para atuar em causas de segurados contra o INSS.
Amostra grátis 2 – O objetivo era adiar a votação para depois do anúncio dos vetos, para, se necessário, “dar resposta à altura do ato do presidente”. No final da tarde, porém, o Planalto sinalizou que a decisão não seria drástica e conseguiu manter o cronograma.
Sobe em árvore – Um trecho inserido no projeto dos peritos do INSS, no Senado, foi derrubado. O dispositivo, que teria a anuência do governo, facilitava o acesso da União a dados sigilosos de contribuintes.
Montanha russa – Indagado sobre como andava a relação com Rodrigo Maia, no café da manhã desta terça (3) com a Folha, o presidente Jair Bolsonaro fez um gesto de ondas com a mão direita e falou: “Altos e baixos”.
Montanha russa 2 – À mesma pergunta, desta vez sobre o governador Wilson Witzel (RJ), respondeu: “Ele está querendo criar o posto de general na PM fluminense. Eu falei para ele não fazer isso, porque vai dar problema”.
Toque de Alvorada – À Folha, o presidente disse que acorda todos os dias às 4h30 da manhã, posta algo na conta dele do Facebook, distribui missões para os ministros e, às 8h, já está cobrando retornos.
O regresso – O subprocurador Augusto Aras voltou a liderar as apostas pela sucessão de Raquel Dodge na PGR. Após temporada em baixa, Aras ampliou sua base de apoio. Conquistou ministros do governo e dirigentes partidários.
Escudo – Deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária interpretaram o fato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ter levado líderes da oposição a reunião na Confederação Nacional da Agricultura, nesta terça (3), como uma tentativa de afastar pedidos para pautar polêmico projeto de licenciamento ambiental.
Timing – Na CNA, Maia disse que não há clima para discutir o tema agora –posição referendada pela esquerda. A integrantes da frente ruralista, o presidente da Câmara fez a avaliação de que o governo demorou a reagir à crise na Amazônia, e que, agora, a Casa precisa trabalhar para desfazer a impressão de que o Brasil fragiliza controles ambientais.
Girl power – Ganha força no PSOL o nome da deputada Sâmia Bomfim como candidata à Prefeitura de São Paulo, no ano que vem. Eleita com quase 250 mil votos, seu perfil é valorizado por ser mulher, jovem (30 anos) e popular nas redes sociais.
Girl power 2 – Sâmia seria mais uma peça no tabuleiro de uma eleição paulistana com forte presença feminina. Estão em discussão possíveis candidaturas de Joice Hasselmann (PSL) e Tabata Amaral (PDT). Ana Estela Haddad, que foi cogitada como candidata do PT, hoje pende para a candidatura de vereadora.
Visita à Folha – Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), visitou a Folha nesta terça (3), onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Milton Flávio Lautenschläger, assessor da presidência, e Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor em comunicação da instituição.
TIROTEIO
“A República sujeita aos caprichos do presidente: da reforma da Previdência, Bolsonaro nada fala. Só pensa na família.”
Do deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ), sobre o Planalto mudar o timing de propostas de olho na indicação do filho a embaixador.