O fragilíssimo equilíbrio do PSL implodiu com os últimos atos de Jair Bolsonaro. Deputados que manifestaram intenção de deixar a sigla ou que a atacaram publicamente, acompanhando o presidente, serão removidos de seus postos em comissões e na liderança da legenda.
Alê Silva (PSL-MG) já foi destituída da de Finanças e Tributação. Nesta quinta (10), será a vez de Carlos Jordy (RJ), Luiz Philippe Orleans e Bragança (SP), Carla Zambelli (SP), Bibo Nunes (RS) e Filipe Barros (PR).
Conhecido e eficaz – A indicação dos nomes que vão compor comissões é uma prerrogativa dos líderes de partidos. Tal instrumento é comumente usado para pressionar parlamentares a seguirem orientações de voto. O PDT, por exemplo, sacou dos colegiados os que votaram a favor da reforma da Previdência.
Para cima – Parlamentares também vão recorrer à comissão de ética do PSL para buscar punições mais severas à ala que tem criticado a sigla.
Mantra – Do lado do grupo bolsonarista, a ordem é seguir pressionando a cúpula do PSL a “agir com transparência”.
Cava a falta – Aliados de Luciano Bivar, presidente do PSL, veem no discurso dos bolsonaristas de abertura de contas uma tentativa de obrigar a direção da sigla a resistir publicamente, dando base para uma tese que possa justificar pedido judicial de desfiliação.
Deflação – 0 Aliados do presidente diziam que cerca de 32 deputados deixariam a sigla, mas o manifesto, considerado ultimato dos bolsonaristas, teve só 19 assinaturas.
Bombeiro – O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tentou contornar a insatisfação do pai. Nesta quarta (9), disse a interlocutores de Bivar que era preciso acalmar os ânimos. Só no fim da manhã admitiu que o quadro era grave.
Na janela – A conformação do que pode ser a nova agremiação de Bolsonaro, chamada Conservadores, já provoca ciúmes. O estatuto que veio a público se assemelha ao do Republicanos (ex-PRB), que também prega “valores cristãos” e liberdade econômica.
Tanto faz – Relator da reforma da Previdência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE) não acredita que a dissolução do PSL vá atrapalhar a votação da reforma da Previdência. Em seus cálculos, os quatro senadores da sigla se declararam favoráveis ao seu texto.
Parte que falta – Planilha que circulou entre governadores do Nordeste nesta quarta (9) aponta que seis estados da região (PE, CE, MA, BA, PI e AL) são os que mais perdem com a mudança nos critérios da divisão dos recursos do leilão da cessão onerosa.
Facada – O novo texto, calculam, renderá R$ 1 bilhão a menos a esses estados, em relação à versão inicial da proposta.
Prioridades – Líder informal do grupo, o governador Wellington Dias (PT-PI) diz que o Congresso resolveu “tirar dos mais pobres para pagar a conta da União aos mais ricos”. No novo formato, São Paulo ganha mais R$ 618 milhões. “Não é razoável”, queixa-se Dias.
Terceiro tempo – Integrantes da equipe econômica avaliam que essas contas ainda poderão embolar a discussão do tema no Senado, onde os estados têm equilíbrio de força. Na Câmara, Sul e Sudeste têm mais representantes.
Alvo fixo – Outra perda já identificada pelos governadores nordestinos é a isenção do Imposto de Renda sobre o valor pago no leilão. O cálculo dá conta de que todos os estados receberão R$ 5,7 bilhões a menos e, novamente, a região Nordeste é a que mais perde.
Roupa nova – Ainda de maneira incipiente, o PC do B discute a revisão de seu programa.
Visitas à Folha – O ministro Paulo Guedes (Economia) visitou a Folha nesta quarta (9), onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Gabriela Valente, chefe da assessoria especial de comunicação, e Samuel Kinoshita, assessor especial do ministro.
A juíza Noemia Porto, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), visitou a Folha nesta quarta. Estava acompanhada de Ronaldo Callado, juiz diretor de comunicação da entidade, e Ana Malta, coordenadora de comunicação.
TIROTEIO
“A união de Bolsonaro com o PSL chegou ao fim. Os dois querem se separar, mas ainda fazem as contas da partilha dos bens.”
Do deputado Julio Delgado (PSB-MG), sobre a crise instalada entre o presidente e o partido pelo qual ele se elegeu; há risco de debandada.