A Receita driblou ordem do Tribunal de Contas da União e, alegando seguir recomendação da Procuradoria-Geral da Fazenda, se recusou a enviar à corte os nomes de auditores que acessaram dados fiscais sigilosos de membros do Legislativo e do Judiciário federal nos últimos anos.
Em documento enviado à corte, o fisco afirma que “entende ser possível encaminhar a quantidade”, mas não as identidades dos auditores. De 2014 a 2018, 1.073 peritos acessaram informações de autoridades.
*
Cortina de ferro – O documento foi enviado pelo secretário da Receita, Marcos Cintra. O número de auditores citados no texto se restringe aos que acessaram dados de contribuintes em procedimentos formais, ou seja: não contabiliza violações sem justificativa. E é essa a principal suspeita sobre o fisco.
Ops – A Receita listou CPFs de 3.353 agentes públicos que foram alvo de procedimentos do fisco. Analistas do TCU que já se debruçaram sobre a lista dizem que o número do documento do ministro Gilmar Mendes, do STF, por exemplo, não aparece na relação.
Ops 2 – Mendes foi o primeiro integrante da corte a acusar a Receita de violar seu sigilo por perseguição política. O próprio fisco havia admitido que o ministro e sua mulher foram alvo de uma fiscalização.
Você amanhã – O relatório da Receita chegou ao TCU no mesmo momento em que auditores da corte recomendaram responsabilização do ex-secretário do órgão Jorge Rachid e seu adjunto. Motivo: descumprimento de determinação do tribunal, em 2016. As penas vão de multa à inabilitação para cargo público por até 8 anos.
Prepara – A recente exoneração do ex-presidente da ABDI, Guto Ferreira, não encerra a crise no segundo escalão do Ministério da Economia. Aliados do executivo afirmam que ele tem mais artilharia contra o secretário de Competitividade, Carlos da Costa, e que está reunindo provas.
Chumbo grosso – Pessoas próximas a Ferreira dizem que ele teria confidenciado que levou as denúncias à cúpula da Economia em junho, e que o ministro Paulo Guedes (Economia) não teria se mexido.
Afasta de mim – Integrantes da pasta, por sua vez, dizem que nenhuma queixa foi formalizada e que foi disparada ordem para auditoria interna a partir de publicações na imprensa.
Divórcio litigioso – A renúncia de seis procuradores que trabalhavam com Raquel Dodge na PGR é o capítulo final de um longo desgaste. O Painel mostrou em maio que nomes de confiança da procuradora-geral já falavam em deixar postos dizendo que se ela fosse reconduzida teria dificuldade de montar uma equipe.
Apontar… – A Associação Nacional dos Procuradores recomendou que colegas que não tenham sido eleitos pelos pares para cargos no Ministério Público Federal não aceitem nomeações na atual gestão. Dodge antecipou a indicação de quadros que vão atuar na Justiça Eleitoral, por exemplo.
…Fogo – A entidade avalia que é preciso aguardar a formalização do nome escolhido por Jair Bolsonaro para a cúpula do órgão. Procuradores dizem que se o presidente de fato nomear o subprocurador Augusto Aras ninguém deve menosprezar a chance de reação da categoria.
Barraco – As deputadas Joice Hasselmann (PSL-SP) e Carla Zambelli (PSL-SP) tiveram novo e grave embate no grupo do partido nesta quarta (4). Joice criticou o fato de que o filho da colega ter ingressado no colégio militar sem passar por concurso. O clima esquentou tanto que Zambelli ameaçou sair do partido.
Sem saída – Parte da equipe econômica admite rever o teto de gastos. A condição é adotar medidas que permitam mexer nas despesas obrigatórias –como salários de servidores. A discussão, diz essa ala, vai se impor com o debate do Orçamento de 2021. Chegar à compressão de custos necessária seria missão impossível.
Visita à Folha – Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, visitou a Folha nesta quarta (4), onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Vanessa Amorim, gerente de Marketing do hospital, e Debora Pratali, diretora-executiva da JeffreyGroup.
TIROTEIO
“O presidente é a broxada do ano e quer falar de ejaculação precoce? Ele fantasia muito, tipo masturbação política.”
Do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), após Jair Bolsonaro dizer à Folha que João Doria é uma ‘ejaculação precoce’, sem chance em 2022.