Jair Bolsonaro usou um encontro com a bancada do Rio de Janeiro, ontem, para explicitar sua posição sobre a tentativa de uma ala do Congresso de emplacar proposta que prevê a autonomia da Polícia Federal. Segundo dois participantes da reunião, o Presidente foi absolutamente claro ao dizer que é contra a iniciativa. Ele chegou a afirmar que tinha noção do desgaste que sofreria por defender publicamente sua posição, mas reiterou que seu entendimento sobre o tema já está fechado.
Dose dupla?
De acordo com os relatos, o Presidente chegou a usar o Ministério Público Federal, órgão autônomo, como exemplo. Disse para os parlamentares pensarem bem sobre o tema e estenderem todas as dúvidas que têm sobre a atuação da Procuradoria à PF, ao projetarem um cenário de novo status para o órgão.
Casa de ferreiro
O projeto que trata do assunto foi ressuscitado pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini, que é do partido de Bolsonaro. Por isso, um dos deputados disse ao Presidente que não adiantava ele orientar a base num sentido para, em seguida, ser desrespeitado pela própria legenda.
Estamos de olho
A conversa com parlamentares do Rio serviu ainda para a família Bolsonaro explicitar suas divergências com o governador do estado, Wilson Witzel (PSC), que vem flertando com a ideia de ser candidato ao Planalto em 2022. O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) criticou o andamento do plano de recuperação fiscal do estado.
Estamos de olho II
Flávio chegou a dizer que o Ministério da Economia deveria produzir um relatório sobre o cumprimento dos compromissos firmados pelo Rio para saber se a gestão estadual estava fazendo o dever de casa.
Bota na conta
Duas diretorias da Eletronorte foram oferecidas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e a seus aliados. Isso em meio à tentativa do Planalto de ganhar simpatia à indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada nos EUA.
Vida real
Parte do agronegócio pressiona Ricardo Salles (Meio Ambiente) a reforçar a fiscalização e deixar de lado o discurso de que Ibama e ICMBio atuam sob orientação de bússola ideológica. Este grupo diz que a prioridade é mostrar a clientes globais que há controles ambientais no Brasil – e que eles funcionam.
Fora dessa
O setor produtivo foi a campo. Exportadores têm negado diretamente a clientes vínculo do agronegócio com queimadas.

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho pedirá a Bolsonaro o veto parcial da medida provisória da liberdade econômica. A entidade alega que, ao revogar artigos que tratam do descanso semanal remunerado, a proposta deixou arestas na regulamentação do trabalho aos domingo e feriados.
Semântica
Produtores rurais querem que fazendeiros que colocam fogo para abrir vegetação sejam nominados de outra forma pelo governo, como “especuladores de terra”, por exemplo. O Planalto evita a palavra “grileiro”, que vê atrelada à narrativa de esquerda.
Anéis e dedos
O ministro Edson Fachin, do STF, atuou para conter danos ao determinar a retomada das alegações finais na ação que estava pronta para julgamento e questiona a compra do Instituto Lula.
Anéis e dedos II
Apesar de a defesa do ex-presidente ter ganhado tempo, o despacho blindou informações sobre o pagamento e destinação de multas da Odebrecht dos advogados de Lula, que reivindicavam no recurso acesso total ao acordo de leniência do MPF com a empreiteira.
Tiroteio
“Já se sabia que não eram impessoais nem isentos. E, agora, que não têm alma nem fé, apesar de se dizerem cristãos”, do senador Jaques Wagner (PT-BA), sobre mensagens trocadas por procuradores após as mortes da mulher, do irmão e do neto de Lula.