por: José Maria de Abreu
“A queda de receita que a atual conjuntura econômica nos impõe não pode ser barreira, tem que ser impulso”
A gestão pública vem sofrendo modificações ao longo dos tempos. A palavra de ordem é inovação. Diante de um cenário restritivo e incerto, é preciso fazer mais com menos, quebrar paradigmas e seguir adiante, sempre focados na responsabilidade com as contas e com as pessoas.
A proposição de iniciativas inovadoras que orientem a ação do Estado para uma gestão de resultados é, sem dúvida, um grande desafio. E precisamos encará-lo.
O momento que vivemos é crucial para investir cada vez mais na excelência em gestão, implantando uma política de Estado que olhe para as ações finalísticas, direcionadas ao principal interessado, o cidadão. Ele deve ser nosso norte. Temos conduzido o agronegócio capixaba nessa linha de raciocínio, buscando impulsionar ainda mais esse setor que responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.
Os produtores rurais enfrentaram recentemente um cenário de adversidades, como escassez de água e consequente queda de produção e resistiram bravamente. Mas é preciso olhar com atenção para esses trabalhadores. É essencial entender sua realidade e buscar um novo olhar para que o setor continue forte.
Precisamos adotar mecanismos de busca constante visando desburocratizar a máquina pública, otimizando os processos para obter uma melhor eficiência na prestação de serviços. Neste sentido, é imprescindível reavaliar o conjunto de normas, tornando-as de mais fácil aplicação e menos burocráticas. Não queremos abrir mão da segurança, das garantias legais, da sustentabilidade. Mas temos que suprimir o excessivo apego a regras e procedimentos.
Os serviços manuais, morosos, que atravancam a máquina pública precisam ser substituídos por ferramentas modernas, em especial as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Foi o que fizemos, por exemplo, com a implantação da Guia de Trânsito Animal eletrônica (e-GTA), que passou a ser emitida pela internet, além da revisão de muitos instrumentos legais nas áreas de defesa agropecuária e florestal.
As demandas são crescentes e precisamos nos reinventar. A população cobra, tem voz ativa, seja na imprensa tradicional ou nas mídias sociais. Querem ser ouvidas e terem seus pleitos atendidos. A dinâmica precisa acontecer. É tempo de pensar “fora da caixa”, enfrentar as opiniões contrárias, sim, e unir esforços para que as os resultados apareçam e o desenvolvimento flua.
A queda de receita que a atual conjuntura econômica nos impõe não pode ser barreira, tem que ser impulso. Como resolver essa equação, sem que tenhamos que aumentar o gasto com pessoal, uma vez que a ampla maioria dos órgãos públicos está dentro do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal? Não temos outra alternativa. Precisamos entender que gestão é prioridade. A cada real bem investido na gestão pública teremos uma máquina mais eficiente, uma população mais satisfeita e, com certeza, serviços de melhor qualidade.
É preciso que os gestores entendam o dinamismo com que a gestão pública vem evoluindo, e que o momento é mesmo de quebra de paradigmas, de tomada de decisões corajosas, às vezes até mesmo impopulares. Pois, caso contrário, correm o risco de terem que administrar máquinas públicas pesadas, engessadas e ineficientes, impondo à população serviços que mais funcionam como desserviço.
José Maria de Abreu Junior é diretor-presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf)
A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].
