Certa vez ao ler uma frase compreendi, adequadamente, a importância da leitura em nossas vidas, a frase dizia: precisamos compreender que como o nosso corpo material precisa de alimento, o espiritual (mente) também precisa.
O que ela quis ressaltar é que nós e o mundo não somos feitos apenas de uma parte material que pode ser percebida pelos cinco sentidos, mas também das visões que temos desse mundo, de nós mesmo e dos outros. Por isto, nunca estamos prontos, mas na medida em que recebemos informações e estímulos, e vivenciamos experiências, construímos ou reconstruímos nossa visão de mundo. Entre os grandes desafios para a humanidade é conseguir respeitar as diferenças entre os povos, as pessoas, as visões de mundo para que elas não se tornem obstáculos às relações. Por que não existe uma pessoa igual a outra, como também não pode existir verdade única, religião única ou mesmo pensamento único, daí a dificuldade de se andar em terreno firme e seguro quando o assunto é a subjetividade, que requer mais do que uma leitura, mas sobretudo uma reflexão profunda do que se ler.
Segundo o IBGE, no ano de 2014, a taxa de analfabetismo entre os brasileiros com 15 anos ou mais foi de 8,3%, observou-se que o analfabetismo está diminuindo gradativamente no Brasil. No entanto, alfabetização não significa letramento. Segundo especialistas, “um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um individuo letrado”; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, é aquele que vive em estado de letramento, e não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita no cotidiano da sua vida respondendo adequadamente às demandas sociais.
Este problema na alfabetização de base pode se estender para a vida acadêmica e terminar na vida profissional. Além disto, um dos motivos para esta falta de letramento pode estar na ausência de incentivo à leitura desde a infância. Assim como boa parte da população brasileira, muitos profissionais são incapazes de entender e produzir textos na própria área, e isto não se deve a falta do conhecimento especializado, mas ao estudo incipiente do português. Lembrando que a questão da má formação no ensino de base não é uma regra, pois existem vários outros fatores que podem levar alguém a não escrever bem.
Muitas pessoas alfabetizadas dominam a leitura e a escrita, porém, não tem o hábito de ler jornais, livros, revistas, com isto também sentem dificuldades para escreverem um simples recado ou carta, a maioria dos que se encaixam entre esses tiveram dificuldades na aprendizagem, com isto temos consciência que essas pessoas podem se tornar um indivíduo desinformado. Nos dias de hoje, a leitura é o caminho necessário para entender o mundo, sendo assim, a formação de cidadãos, não se limita a conceitos preestabelecidos que torna inviável o ato de pensar. Tornando o dever de educadores, de pais e de todos nós, perceber esta nova realidade e criar novas estratégias que valorizem e incentive a leitura e a escrita. Lembrando-se, leitura é fundamental para construção humana e para seu convívio ao meio social.
A leitura é a base de tudo, é através dela que se tem uma boa formação profissional e intelectual. Por isso tenho incentivado projetos de incentivo a leitura entre crianças e jovens e doação de livros em comunidades carentes. Junte-se a esta ideia.
Leonardo Monjardim é membro da Academia Espírito-Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do ES.