O movimento conhecido com “a Guerrilha do Caparaó” é citado por vários autores, como a primeira tentativa insurgência armada contra o regime militar feita por ex-militares cassados e alguns civis, porém, há registros de duas anteriores ocorridas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, sem sucesso.
Inspirado na guerrilha cubana de Serra Maestra, o movimento cujo nome original foi “Movimento Nacionalista Revolucionário – MNR”, ficou conhecido como a “Guerrilha do Caparaó”, por ser o local em que os guerrilheiros se agruparam no fim dos anos de 1966 e início de 1967, para executar as manobras paramilitares, o Parque Nacional do Caparaó que se situa entre os Estados do Espírito Santo de Minas Gerais.
Segundo Rollemberg (2001), pelo menos, 5 dos 16 guerrilheiros haviam sido treinados em Cuba, com apoio Leonel Brizola, contrário ao golpe militar de 1964, porém, segundo dados da Prefeitura de Alto Caparaó, após as prisões, o falecido professor Bayard Demarie Boiteaux confessou ser o líder do movimento, isentado Brizola de qualquer participação.
Devido à movimentação na área, os guerrilheiros foram denunciados pela população, e no dia 5 de abril de 1967, por ordem do Ministério do Exército ao 1° Exército da 4ª RM, o governador do Espírito Santo, Cristiano Dias Lopes Filho, determinou ao coronel Jader Peixoto Rubim, comandante-geral da PMES, o envio a Serra do Caparaó, pelo município de Iúna-ES, de uma Companhia de Fuzileiros, comandada pelo capitão Devens, com um médico e um dentista civil e um efetivo de 181 policiais militares estaduais, em uma operação conjunta com o Exército, a Aeronáutica e a Policia Militar Mineira, para combater uma base de guerrilha que se instalara na região.
No dia 7 de abril de 1967 (BD 71), se deslocou para o município de Alegre-ES, um major Décio PMES designado para exercer a função de oficial de ligação entre o comando das tropas da PMES e da PMMG, e o capitão Rubens PMES para exercer a função de oficial de ligação entre o Comando Geral das Operações e o comando da tropa da PMES na região.
Toda a tropa da PMES foi inspecionada pelo Comandante Geral da PMES, no Caparaó em 8 de abril de 1967 (BD 71), percorrendo ao longo de 35 quilômetros de Santa Marta a Pequiá, o qual retornou a Vitória-ES, no dia 10.04.67.
Segundo relatório do major da PMES, o contingente capixaba seguiu em direção ao pico do Caparaó no dia 14 e onde retornou no dia 17.04.1967, sem que tivesse havido qualquer contato com os guerrilheiros, uma vez, que já haviam abandonado o local às pressas e deixado a região, conforme confirmaram os vestígios documentais e objetos encontrados, os quais foram recolhidos pelo Capitão PMES e entregues ao capitão do Exército que atuava na operação.
A tropa da PMES retornou ao Quartel de Maruípe, em Vitória-ES, onde chegou no dia 20 de abril de 1967, após o fim do movimento que culminou com a prisão dos guerrilheiros, pela Policia Militar de Minas Gerais, às margens da BR-116 e levados para o presídio de Juiz de Fora, conforme cita Werneck (2013) e outros autores.
O relatório da operação elaborado pelo major da PMES foi encaminhado ao comandante-geral da Corporação capixaba, em 23 de abril de 1967, onde descreve com mais detalhes todas as incursões e contatos mantidos durante a permanência da tropa capixaba na região.
Gelson Loiola é coronel da reserva da PMES, escritor, bacharel e professor de Direito, pesquisador militar e membro do IHGES