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A vida e suas expectativas

Durante boa parte da nossa história, a maioria da população foi formada por jovens. Com o passar dos anos, esse cenário tem passado por modificações. ...

Gustavo Genelhu é médico geriatra

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Durante boa parte da nossa história, a maioria da população foi formada por jovens. Com o passar dos anos, esse cenário tem passado por modificações. Hoje, vive-se mais que os antepassados.
A pesquisa “Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018”, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a população brasileira com 65 anos de idade ou mais cresceu 26% entre 2012 e 2018, enquanto a população de até 13 anos recuou 6%.

Em 2012, última vez em que a pesquisa foi realizada, o total de idosos representava 12,8% da população. Um crescimento considerável.

O Brasil não tem experiência e nem estrutura para ser um país habitado por pessoas de idade mais avançada e tem, cada vez mais, o inevitável desafio de ter um número maior de idosos vivendo em nossa nação. As projeções do IBGE para 2060 indicam com clareza esse cenário.

Apesar do número de crianças ainda ser superior ao de idosos, o envelhecimento da população reforça a necessidade de se preparar para essa realidade. É importante observar como os governos vêm se planejando para isso. E também cobrar medidas do Estado, como a implantação de políticas públicas que assegurem uma velhice digna e tranquila para nossos idosos.

Assegurar os direitos básicos ao grupo da terceira idade é promover ativamente uma velhice feliz para quem tanto já contribuiu em todos os aspectos (econômico, social, familiar e afetivo).

Meios de acessibilidade, como transporte público de mais qualidade, grupos de ajuda, menos burocracia nos atendimentos prioritários, como saúde, e a utilização de espaços públicos ou coletivos com segurança para todos são investimentos importantes que prezam pelo bem-estar. E devem ser prioridade.

É fato que a expectativa de vida está em ascensão. No entanto, envelhecer bem é mais importante do que simplesmente alcançar uma idade avançada.

A pesquisa britânica “The English Longitudinal Study of Aging” (Estudo inglês de longevidade), analisou 3.200 pessoas e constatou que os indivíduos com mais de 60 anos que se sentiam mais satisfeitos com a vida apresentavam menor comprometimento na realização das atividades de vida diárias. Ou seja, não apresentavam grandes dificuldades em tomar banho e outros cuidados pessoais, realizar pequenas tarefas domésticas, dentre outras.

Essa sensação positiva, que promove a tão preciosa autonomia na terceira idade, provém de fatores como qualidade de vida, bom convívio familiar, saúde em dia e, principalmente, direitos respeitados. 

O Estado tem o seu papel e a família também. Portanto, preparar-se para viver, conviver e priorizar os idosos em uma sociedade um pouco mais envelhecida do que no passado é uma missão de todos: familiares, estado, cuidadores, profissionais de saúde e até mesmo o próprio idoso.

Ter uma idade mais avançada não deve ser significado de peso e inutilidade.

Há muitos estudos que relacionam a sensação de bem-estar com a saúde física na terceira idade. Ou seja, menor incidência de doenças, incluindo as de ordem emocional, e mais vida com qualidade que pode se prolongar com o passar dos anos e ser comemorada pela longevidade, uma dádiva que não é concedida a todos.

Gustavo Genelhu é médico geriatra

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