Acredito que o propósito de aprender só existe alinhado com o propósito de viver. Ou seja, eu não acredito que aprender tenha um propósito. Acredito que a aprendizagem acontece. A base está no seu nível de autoconscientização, para que você saiba melhor quem você é. Aprendemos o que estamos interessadas em aprender.
A sociedade precisa de cidadãos responsáveis, e ser um cidadão responsável é ter uma compreensão firme das questões que estão ao seu redor. Seja o que está acontecendo na sua comunidade, o que está acontecendo no mundo.
E muitas dessas coisas podem ter alguma relação com a ciência, arte ou literatura. As pessoas podem aprender sobre todas essas áreas diferentes de formas muito diferentes.
Uma das características fundamentais de todos os organismos vivos é de que mudam com o tempo.
Alcançar o equilíbrio é morrer, então os organismos vivos estão sempre em um processo de mudança, estão sempre em um estado dinâmico. Acredito que aprender é o motor que nos permite continuar a ser dinâmico.
Os alunos precisam desenvolver habilidades como comunicação, raciocínio e criatividade. E cada aluno deve ser respeitado como um indivíduo.
Os educadores devem apoiar, conectar, desafiar intelectualmente os alunos. Encorajar o pensamento crítico e interdisciplinar, ao exercício de uma cidadania ativa e engajada.
Nossa tendência é pensar que a aprendizagem tem uma única definição, mas ela poder ser muito diferente.
Acredito que a melhor maneira, mais eficaz e mais poderosa de decidir o que deve ser aprendido é perguntar aos alunos. Eu diria que o sucesso da aprendizagem é quando os alunos formulam suas próprias perguntas.
A aprendizagem não terá sucesso se o ambiente escolar não for mais para os alunos e totalmente integrado com a comunidade.
As pessoas aprendem melhor quando seus sentidos são explorados. Alguns são mais auditivos, ou seja, podem estudar em voz alta e escutar as explicações.
Outros acham que aprendem melhor olhando fotos e lendo. Outros aprendem através da percepção de movimentos corporais misturados com os sentidos, como gosto, tato e olfato. Com essas habilidades usadas juntas o conteúdo fará mais sentido.
A aula será muito mais eficiente se expuser os alunos a diversos estímulos sensoriais, como tocar o objeto de estudo, escutar o som que ele pode produzir. Ou cheirar o cheiro, a textura e até mesmo o gosto de algumas plantas durante as aulas de ciências.
O professor faz com que os alunos “imaginem uma pedra caindo”, mas se ele fizesse o experimento, seria muito legal.
Combinar percepções estrategicamente é muito interessante para dar significado aos alunos. Por que as escolas não podem fazer um mockup (modelo demonstrativo) para explicar como um gráfico X, Y funciona, em vez de apenas fazê-lo em papel branco ou apenas no quadro?
Será mais significativo para o aprendizado do aluno se, além de fazermos o gráfico com cores, construirmos algo que ele possa ver e sentir.
Precisamos de um ambiente onde os alunos possam explorar, inventar e criar. Um ambiente menos expositivo, permitindo ao aluno orientar sua própria aprendizagem, perceber o que pode fazer e escolher o que desejam aprender.
Wesley Goggi é presidente do Instituto Teotônio Vilela/ES