Setembro é o mês em que no Brasil a sociedade civil, as entidades de apoio e os centros de referência para tratamento do câncer infantil se reúnem em ações voltadas para divulgação da importância do diagnóstico precoce da doença.
Os vários tipos de câncer que acometem crianças e adolescentes se agrupam em 12 grupos e respectivos subgrupos. Eles têm aspectos distintos daqueles dos adultos e, em geral, não têm relação com fatores ambientais e não há como preveni-los.
Estima-se cerca de 12.500 novos casos em 2018 no Brasil, onde também constitui a primeira causa de mortes por doença entre 1 e 19 anos de idade.
Nos últimos 50 anos a taxa de sobrevida em países do 1º mundo subiu de 30% para mais de 80%, chegando perto de 100% em alguns subgrupos, enquanto outros, poucos, felizmente, a despeito da presteza do diagnóstico, por características próprias, não respondem satisfatoriamente aos recursos disponíveis pela medicina.
Por ser doença rara e dotada de sintomatologia comum a situações mais frequentes na pediatria, tem detecção condicionada ao preparo dos profissionais da atenção primária. O reconhecimento de sinais de alerta favorece o diagnóstico em estágios iniciais, quando as chances de cura costumam ser maiores e as sequelas menores.
Geralmente vêm em conjunto, são persistentes e progressivos e incluem palidez, inapetência, manchas roxas ou sangramentos inexplicados; febre prolongada de origem obscura; dores ósseas ou em articulações; vômitos e dores de cabeça; diminuição de força em algum membro, alteração da marcha ou da visão.
Incluem aumento do perímetro craniano de forma anormal, em menores de 2 anos de idade; ínguas grandes, indolores e sem evidência de causa infecciosa; tumoração pelo corpo; e pupila esbranquiçada em crianças pequenas.
A criança pode ter bom estado geral no início do quadro, o que dificulta relação com doença de tamanha gravidade. Algumas vezes, na primeira consulta pode não haver dados suficientes para suspeita. Neste caso, a criança deve retornar caso os sintomas persistam.
Infelizmente em muitos países as taxas de cura permanecem muito baixas. De fato, o futuro de uma criança acometida pelo câncer depende largamente da região do mundo em que ela vive.
Isto é inaceitável e contraria princípios básicos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, entre eles, o direito à vida, a gozar do benefício de serviços médicos, garantidos pelos pais, pela sociedade e pelo Estado.
O diagnóstico precoce pode ser um grande passo, mas não é o bastante. O aumento da sobrevida é atribuído ao conjunto de fatores inter-relacionados, entre eles o apoio social, a alta qualidade dos centros de referência, pesquisa clínica e educação.
O tratamento deve ser realizado em centro de referência específico para crianças e envolver também a família.
O Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória abriga o centro de referência pública estadual para tratamento de câncer em menores de 19 anos.
Recebe apoio social da Associação Capixaba conta o Câncer Infantil (Acacci) e, como parte das estratégias para a melhoria da qualidade do serviço, tem a mudança de endereço prevista para as próximas semanas.
Gláucia Perini Zouain Figueiredo é médica oncologista pediatra do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória.
