
Líderes são líderes, independentemente de um padrão, de formatos prontos, de receita de como proceder. É, simplesmente, ser.
Liderar exige credibilidade, confiança, exemplo. Exige saber servir. Sim, servir! Acredito na liderança que acompanha, que põe a mão na massa, motivando, comemorando e chorando junto também. Esse tipo de liderança impulsiona, mostra uma eficiência sem tamanho, afinal, quem não quer seguir alguém assim? Que não só norteia as tarefas a serem entregues, mas que pega na mão, ensina e mostra a direção: como, onde, quando.
Ser líder não é simplesmente sentar-se em determinada cadeira, ocupar determinada sala. É infinitamente mais do que isso. Ser líder independe de reconhecimento. Se você consegue influenciar pessoas, se a sua vontade queima em fazer e realizar algo com amor, se você serve de alguma forma, demonstra serviço e vivencia sacrifícios, se fala e alguém ouve e faz, se exerce uma autoridade natural, você está no rol dos líderes.
Liderança implica muitas interfaces, mas todas elas levam a atingir resultados expressivos naquilo que você executa. É transformar pessoas simples em verdadeiros soldados, preparados a qualquer tempo para enfrentar uma guerra, apaixonados pela sua causa, pelas suas ideias. É olhar para aqueles sem a menor condição e prepará-los, formando algo que não existe. É servir ao outro para que ele brilhe, é colocá-lo na linha de frente e acreditar que ele é capaz de fazer algo extraordinário e dar todo esse crédito a ele. É explicar suas ações, o porquê das suas atitudes, reforçar, fazer-se entender.
Ainda que muitos não estejam preparados para se sentirem cuidados, amados e educados com esse grau de intensidade que a liderança através do serviço traz, é esse tipo de liderança que cativa. É claro que também traz decepções, tristezas e frustrações, pois existe uma cultura forte de “puxar o tapete” e “tirar vantagem”. Apesar disso, acredito que o exemplo arrasta.
Liderar dessa forma, ao contrário do que muitos pensam, pode, sim, ser produtivo, desde que tenhamos bem claro o método a ser utilizado, o caminho a percorrer. Quando não temos isso, as pessoas ficam perdidas, soltas ou inseguras. Sempre que não há um desenvolvimento dessas lideranças e quando isso não é tratado como um ponto estratégico do negócio, o RH sofre, convivendo com a dificuldade de reter pessoas.
Desenvolver lideranças também é uma estratégia de negócio para o crescimento de uma empresa. Só a entrega de resultados permite esse crescimento, e isso pode, sim, ocorrer de uma forma democrática, de serviço, uns para com os outros.
Desenvolver pessoas que performam com alto desempenho dá trabalho, mas é necessário. Como fazemos isso? Eis algumas dicas: aguçando o potencial de cada um, atribuindo-lhes novas responsabilidades, dando feedbacks para autoconhecimento e crescimento, entendendo os perfis da equipe, sabendo ouvir, falando, trabalhando crenças, reprogramando limitações, compartilhando metas. Assim, podemos extrair o melhor de cada pessoa.
Liderar sem imposição, chantagem ou força, requer um preço muito alto: o seu exemplo. Isso é suficiente. Você está pronto?
Lucilaine Lima é bióloga, gastrônoma e fundadora de uma rede de escolas de culinária