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Corpo, consumo e redes sociais

Pesquisadores de saúde pública da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, estão buscando identificar se a influência ...

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Pesquisadores de saúde pública da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, estão buscando identificar se a influência social, tanto nas redes on-line, como pessoalmente, pode prevenir doenças e promover hábitos saudáveis.   (Foto: Divulgação )

Outra pesquisa realizada em 2012 analisou como as mídias sociais estão mudando hábitos de alimentação. Nela, 49% dos entrevistados afirmaram que aprendem sobre comida via redes sociais.

Segundo a professora e pesquisadora Raquel Recuero, as relações nas redes sociais são dinâmicas e marcadas por contradições e diversas influências externas e internas.

Se por um lado é território de compartilhamento de ideias, trocas de dicas, criação de novos contatos e manifestações de afetos é também um campo de disputas, anseios, exibicionismo, julgamentos, especulação, associações e interesses que envolvem ainda uma forma de capitalizar um dos grandes valores da contemporaneidade: a atenção.

O escritor doutor Francisco Ortega considera que temos estabelecido novas relações com o corpo que incluem práticas, cujo objetivo é reformá-lo e aperfeiçoá-lo, privilegiando a exposição.

Somos marcados por incertezas e volatilidades “numa sociedade hiperflexível e sem garantia”, em que há uma “ênfase na necessidade de adaptação às nuances do mercado e na incitação à escolha” e uma certa postura de autovigilância em relação a práticas de manutenção da saúde de indivíduos “imersos em uma cultura somática, preocupados em como viver mais e melhor”.

Para o sociólogo francês Jean Baudrillard, a felicidade constitui a referência absoluta da sociedade de consumo. E nas redes sociais percebe-se que se mostrar bem e feliz, sobretudo com o próprio corpo, é como se fosse uma necessidade e ao mesmo tempo uma “exigência”.

“A beleza constitui um imperativo tão absoluto pelo simples fato de ser uma forma do capital”. E refletir sobre esse capital social que envolve o consumo e a visibilidade nas redes sociais digitais é importante para avaliarmos sob quais perspectivas nos influenciamos.

As conexões criam laços sociais, fracos (associativos) e fortes (relacionais), que são responsáveis pela confiança, credibilidade e intimidade entre os atores. E por meio de tais relações, surgem fenômenos e famosos nas redes sociais digitais, capazes de influenciar milhares de seguidores.

A popularidade atrai, mas não garante a veracidade e idoneidade. E quando falamos em confiar em orientações, dicas e inspirações voltadas para cuidar do corpo e da saúde, é preciso ter muito bom senso e ser criterioso para não cairmos em nossas próprias ilusões cercadas de tantos anseios e perfeições.

Vale lembrar que o médico Denis Furtado, o “Dr . Bumbum”, preso recentemente, tinha várias contas ativas (algumas já apagadas), como a do Instagram, com 647 mil seguidores.

Claro que há profissionais sérios da saúde que se apropriam das redes sociais digitais para promover um trabalho idôneo, mas não podemos esquecer que a internet, e, consequentemente, as redes sociais digitais, é um território onde ‘todos podem ser qualquer um’.

Lu Lima é jornalista, graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

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