- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Tribuna Livre

Diálogo com os presidenciáveis

Considerando o período eleitoral, o Sindiex iniciou um diálogo com os presidenciáveis, objetivando conhecer os seus projetos de governo, e percebemos ...

Marcilio Machado, presidente do Sindiex

Última atualização

Considerando o período eleitoral, o Sindiex iniciou um diálogo com os presidenciáveis, objetivando conhecer os seus projetos de governo, e percebemos que já são velhos conhecidos: ajuste fiscal, recursos naturais, política cambial, acordos comerciais, educação e gestão. Muitos candidatos irão apresentar propostas que, contudo, não passarão de boas intenções.

Aos eleitores, cabe diferenciar discurso pré-eleitoral das ações que devem e podem ser implementadas.

Quem assumir o governo irá administrar um país com despesas maiores do que as receitas e isso pode ocasionar o retorno da inflação. É de conhecimento de muitos que a inflação existe quando o governo gasta mais do que arrecada. Portanto, a realização das reformas que impliquem no ajuste fiscal se tornam importantes, pois não existe tributo mais injusto do que a inflação que atinge, principalmente, as classes menos favorecidas.

Alguns candidatos relataram a prioridade de investimentos em combustíveis fósseis e matérias primas. Importante saber que, embora recursos naturais sejam importantes, existem limites para que possam prover vantagem competitiva. Isso só é possível se exploradas através do uso de modernas tecnologias.

Recentemente, um candidato comentou que adotará uma taxa de câmbio que não prejudique exportadores nem importadores. Com relação à política cambial é importante ter conhecimento que a desvalorização cambial não tem a capacidade de prover vantagem competitiva. O que dá sustentabilidade às exportações são investimentos em filiais no exterior, que demandam produtos da matriz.

Foi apresentada, também, a sugestão de priorização de acordos comerciais bilaterais. Fica sempre aquela questão: comércio internacional ou mercado interno? Quando são analisados os índices de competitividade do Brasil, a variável que apresenta a melhor pontuação é o tamanho do nosso mercado. Além disso, somos um país, exceção no mundo, formado por grupos étnicos sem grandes divergências e que falam a mesma língua. Consequentemente, é aconselhável continuar o fortalecimento do mercado doméstico. Isso, contudo, não quer dizer que devamos negligenciar as vendas para o exterior.

Outro assunto de debate foi o nível educacional do Brasil. Na última edição do Pisa, realizada com escolas de 70 países, o Brasil ficou 59º lugar em leitura e entre os 10 últimos nas categorias matemática e ciências. Não há dúvida que a educação terá um papel importante nas sociedades do futuro e parece que os candidatos se dão conta disso. Contudo, diria que o sistema educacional brasileiro tem que ser reformado, pois não premia habilidades, mas dinheiro. Apenas os filhos das famílias mais abastadas têm acesso a uma melhor educação. Isso tem que ser revisto.

Percebemos que muitos eleitores receiam o estilo administrativo do futuro presidente. Gerenciamento demanda prática. Sabemos que, embora, teorias administrativas sejam importantes, gestão requer experiência. Em momentos de crise não há tempo para se consultar o livro texto.

Portanto, é preciso ter prévio conhecimento de administração ou cercar-se de quem o possua. Não acredito, tampouco, que administração participativa seja uma panaceia. Em tempos de crise um líder tem que tomar a direção e determinar quem deve fazer e o que deve ser feito.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.