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É preciso apoiar famílias de pessoas com transtorno mental

As doenças mentais graves afetam 5% a 10% da população, e previsões indicam que, em breve, serão a principal causa de incapacidade para o ...

Maria Benedita

Última atualização

Maria Benedita (Foto: Divulgação)As doenças mentais graves afetam 5% a 10% da população, e previsões indicam que, em breve, serão a principal causa de incapacidade para o trabalho.

Afinal, estas doenças restringem a qualidade de vida, o convívio social e causam sofrimento aos familiares, porque muitas destas pessoas ficam fora do mercado de trabalho, para cuidar de seus parentes adoecidos.

As doenças mentais são responsáveis por elevados custos para a sociedade, por causarem sofrimento, disfunção familiar e falta de produtividade no trabalho, impondo múltiplos custos, perdas e sobrecargas aos cidadãos e aos sistemas sociais. Sem falar na sobrecarga emocional e temporal, por exigir da família maior dedicação. Mas a verdade é que tanto a sociedade quanto as famílias não estão preparadas para acolher o portador de sofrimento psíquico.

Antes, a família era mantida afastada, observadora dos acontecimentos relacionados à doença mental. Hoje, ela deve se tornar aliada no processo terapêutico, para contribuir com a reabilitação psicossocial da pessoa.

Cuidar de um familiar com perturbação mental pode acarretar sobrecarga física, financeira e emocional, diminuindo,assim, a qualidade de vida de toda a família ou dos que cuidam da pessoa doente. O problema gera isolamento social, dificuldades financeiras e pode levar ao diagnóstico de depressão entre os familiares.

Torna-se indispensável que familiares e amigos recebam suporte adequado para superar situações de desgaste físico e emocional. Assim, os grupos são importante recurso terapêutico de cuidado na educação, promoção, prevenção e recuperação da saúde dos pacientes e dos familiares. Além disso, eles reduzem o isolamento social e o estigma associados à doença.

Durante os encontros destes grupos, são realizadas reuniões psicoeducacionais, visando proporcionar a troca de experiências e noções de direitos dos pacientes. Também são abordados a relação da família com a doença mental, os sentimentos gerados, as reações adaptativas normais e anormais dos membros da família. Discute-se como ela pode colaborar com o tratamento e a reinserção social do paciente. Também são levantadas, nos encontros, as maneiras de controle de alteração de comportamento e a detecção de sinais precoces de recaída.

Os grupos favorecem ao cuidador interagir e compartilhar dificuldades do dia a dia e aspectos emocionais envolvidos nos cuidados. Afinal, trata-se de um ambiente que estimula a convivência, e no qual há possibilidade de os participantes relatarem suas histórias e discutirem suas dificuldades. Todos em uma busca coletiva de alternativas e estratégias eficientes e seguras que minimizem sofrimento e garantam investimento em qualidade de vida.

A rede social de apoio também proporciona o conforto de pertencer a um grupo, o que é importante para a manutenção da autoestima. Na doença, as pessoas se sentem desprotegidas, desesperadas, isoladas e fragilizadas. Ao participar de grupos, elas constroem uma cadeia de ajuda mútua, que fomenta o desenvolvimento de potencialidades e habilidades no modo de lidar e entender a doença.

Dessa forma, os grupos psicoeducativos e os grupos de apoio constituem uma rede social de sustentação, e têm-se mostrado uma intervenção útil para ajudar as famílias a desenvolverem estratégias e recursos para lidar com o transtorno mental.

Maria Benedita Reis é psiquiatra e psicanalista

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