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Educação com segurança

Na semana passada tivemos, aqui nos EUA, a volta às aulas. Após quase três meses de férias, que coincidem com o período do verão americano, todos os ...

Última atualização

Na semana passada tivemos, aqui nos EUA, a volta às aulas. Após quase três meses de férias, que coincidem com o período do verão americano, todos os alunos retomaram suas rotinas de estudo. Não foi diferente na escola pública em que meu filho estuda. No dia 03/09, ele teve seu primeiro dia de aula, na primeira série.

Antes disso, todos os pais foram convidados a visitarem a escola. Numa visita rápida, foi possível conhecer sua nova sala de aula, sua professora, alguns coleguinhas e outros pais.

A intenção é criar e reforçar os laços da comunidade ao redor do ambiente escolar. Além disso, o departamento responsável pelas escolas públicas do condado em que moramos enviou, a todos os pais, e-mails contendo informações abrangentes sobre o planejamento escolar para o ano letivo e, também, muitas dicas e informações sobre segurança.

O material traz informações claras e abrangentes sobre segurança no transporte e nos prédios escolares, como se portar diante de situações que indiquem abuso infantil e bullying, prevenção ao suicídio, atuação de gangues e segurança no ambiente escolar.

Partem da premissa de que é necessário um ambiente seguro, para que os jovens possam aprender o que precisa ser ensinado na escola.

Estão certíssimos!

Além do competente planejamento demonstrado, o departamento responsável pela educação age de forma intensamente integrada com as áreas de trânsito e com as polícias. Há, portanto, uma política de segurança muito bem planejada e desenhada para que professores, pais e alunos saibam como se portar diante de cada uma das situações que possa comprometer o ambiente de aprendizado.

Desde as mais simples regras de trânsito, passando por situações de abuso infantil, ocorrências com gangues criminosas ou mesmo atentados (situação que, infelizmente, está cada dia mais corriqueira nos Estados Unidos) são cuidadosamente descritos e apresentados aos integrantes da comunidade escolar com a sua respectiva contramedida. E mais, há treinamentos para cada um dos casos! Os alunos, desde os mais novinhos, como meu filho, são treinados, por exemplo, a como evacuar a escola ou a se portar em casos de bullying.

Além disso, os pais são altamente incentivados a serem voluntários nas escolas, realizando todos os trabalhos necessários e que estejam ao alcance do tempo e disponibilidade de cada um.

Obviamente, os voluntários também recebem treinamento, inclusive para identificar e como se portar diante da identificação de algum abuso ou ameaça à segurança dos alunos ou da escola.

São medidas simples e eficazes e que culminam com um ambiente escolar mais seguro e propício ao aprendizado.

Todos são e se sentem responsáveis pela segurança e pelo sucesso dos alunos.

Não se percebe, por aqui, aquela transferência de responsabilidades tão conhecida por nós brasileiros (isso é dever do prefeito, do governador, da polícia, da diretora, ou de quem quer que seja).

Sem dúvida alguma, a liderança e organização dos administradores públicos são fundamentais nesse processo, mas o que tem feito a diferença é a cultura de participação comunitária ao lado do poder público. Quando nossa sociedade começar a se comportar dessa forma, estaremos diante da possibilidade de um novo Brasil.

EUGÊNIO RICAS é delegado federal, Adido da PF nos Estados Unidos, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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