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Eliezer Batista, o engenheiro de Nova Era

Anos atrás, a bordo de um helicóptero sobrevoando o Caparaó, Eliezer Batista sugeriu ao governador Paulo Hartung construir um lago artificial, a ...

Jornalista, músico e colaborador do Tribuna Online

Última atualização

Anos atrás, a bordo de um helicóptero sobrevoando o Caparaó, Eliezer Batista sugeriu ao governador Paulo Hartung construir um lago artificial, a partir dos recursos hídricos existentes na região, citando o exemplo dos suíços, especialistas em canalizar e explorar potencial hídrico, e não apenas atravancar o Brasil na Copa do Mundo. Era o auge da crise hídrica, de modo que a sugestão do homem que impulsionou ferrovias indicava a água como filão dos novos tempos.
E tempos depois, após a exibição do filme-documentário “Eliezer Batista, o engenheiro do Brasil”, tive oportunidade de perguntar a ele qual sugestão daria aos novos investidores diante da conjuntura de mercado da época. Ele nem pestanejou as grossas sobrancelhas: “Invista em madeira, reflorestamento, pois haverá grande demanda no futuro”, frisou. Projeção que parece atualíssima.
Ainda brinquei que tínhamos um ponto em comum: Nova Era, sua terra natal, onde trabalhei alguns meses como auxiliar de maquinista da Vale, empresa que ele ajudou a criar e expandir. Lugar acanhado, encravado nas montanhas das Gerais – que nesta época do ano ficam geladas – é cortado por um rio que parece saudoso dos peixes, habitado por ferroviários e com os sons dos vagões de minério e locomotivas pairando. “New Age”, o lugar do futuro, brincávamos, vivendo ali diante do pouco contato com o mundo externo. Ainda não havia internet e iphone, telefone só de orelhão distante.
Ele quase nada falou de suas lembranças de Nova Era, apenas que era um lugar ermo e importante nas conexões ferroviárias mineiras. Deduzi que depois de tantas voltas que dera ao mundo, talvez preferisse deixar “New Age” como um retrato na parede da memória. Ou, como diria Drummond, Minas não há mais… Encerrei a conversa com o ex-ministro lembrando uma entrevista feita com ele em sua residência, em Pedra Azul, que alguns colunistas classificam de “cinematográfica”.
Vestido de botas cano longo, me recebeu e logo mostrou a área verde ao redor da casa, chamando atenção para algumas espécies raras de orquídeas. Depois, pediu licença, precisava fazer natação, e mergulhou na piscina tendo a Pedra Azul como cenário de fundo. Andara com problema de circulação nas pernas, “conseqüência das muitas e longas viagens aéreas pelo mundo. Somente ao Japão havia ido mais de vinte vezes”, contou. Nessas idas e vindas, aprendera várias línguas, algumas cascudas, como o russo.
Além do extenso legado como engenheiro, empresário e homem público, Eliezer Batista era pai de Eike Batista, que foi um dos homens mais ricos do Brasil, cortejadíssímo tempos atrás, namorado de estrelas da TV etc, e que agora vive entre prisões físicas e domiciliares respondendo ao processo do MPF, que o acusa de manipular com dados falsos o preço de ações nas bolsas de valores.
Reza uma lenda dos bastidores que no começo de tudo Eliezer teria indicado ao filho o mapa de minas preciosas utilizando imagens privilegiadas dos satélites a que tinha acesso como eterno chairman da Vale. Daí, onde Eike cavava, tinha esmeralda ou coisa parecida. Lenda ou não, e por uma série de outras ações e atitudes, Eike acabou se tornando o rei do pedaço, casou com a musa da estação e virou um dos homens mais poderosos do mundo. Em pouco tempo sua mega fortuna virou espuma, o ocaso veio a galope. Ultimamente, virou youtuber e sugere investimentos em moedas digitais. Como se vê, o pai, construtor da ferrovia Vitória-Minas, preferia algo mais sólido e palpável.
 

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