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Estrabismo: um problema muito além da estética

Baixa autoestima, dificuldade de aprendizado, quedas constantes e o risco de perder parte da visão e comprometê-la por toda a vida são alguns ...

IARA TAVARES é oftalmologista especialista em estrabismo

Última atualização

Baixa autoestima, dificuldade de aprendizado, quedas constantes e o risco de perder parte da visão e comprometê-la por toda a vida são alguns inconvenientes enfrentados por crianças que convivem com o estrabismo, uma doença que tem tratamento, mas que pode causar uma série de problemas tanto na primeira infância quanto na vida adulta.

Um estudo realizado pelo departamento de Estrabismo do Hospital São Geraldo, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluiu que o estrabismo interfere negativamente no bem-estar e na qualidade de vida tanto funcional como psicossocial dos indivíduos pesquisados.

Ou seja, estrábicos desenvolvem uma série de comprometimentos emocionais, relacionados à autoestima e à aceitação nos ambientes em que frequenta.

Caracterizado pelo desalinhamento de um ou dos dois olhos, o estrabismo altera a forma da pessoa enxergar. Um sério distúrbio ocular que pode ser observado a partir do nascimento ou já nos primeiros anos de vida.

Até os três meses de idade, as crianças ainda não têm o controle do movimento dos olhos, por isso é comum que se desalinhem em alguns momentos. O desalinhamento dos olhos é o primeiro sintoma observado pelos pais e deve ser considerado um sinal de alerta a partir dos 4 meses.

Portanto, ao perceber algo diferente na posição dos olhos da criança, como se estivessem apontando para direções diferentes, é necessário levá-la ao médico o quanto antes.

Também é comum que a criança caia muito, tenha dificuldade para começar a andar ou esbarre frequentemente em objetos. Esses sinais são bastante indicativos e devem motivar uma consulta a um especialista.

Além de afetar a autoestima e causar um abalo emocional, o estrabismo infantil pode trazer consequências graves, se não for tratado precocemente. Há a possibilidade de visão dupla, perda da noção de profundidade dos objetos, além de redução do campo de visão.

A maioria dos casos de estrabismo tem fator hereditário, mas a doença também pode aparecer devido a hipermetropia, traumatismos ou ser causada por outras doenças, como síndrome de Down ou meningite, por exemplo.

Uma das principais preocupações com relação à doença é o comprometimento ou a perda significativa da visão da criança. A ambliopia, também chamada de olho preguiçoso, faz com que o cérebro reconheça apenas a imagem do olho de melhor visão, ignorando o outro olho, estrábico. O tratamento para a ambliopia, que acomete cerca de 50% das crianças estrábicas, é a oclusão do olho de melhor visão para exercitar o outro.

Outro ponto de atenção quanto às crianças estrábicas está relacionado à dificuldade para se concentrar em atividades escolares ou para acompanhar o grupo. É muito comum que após as cirurgias as mães retornem ao consultório e relatem a melhora do desenvolvimento da criança na escola. Enxergar bem e com os dois olhos faz diferença na vida de todos nós.

O bullying também é uma realidade para crianças com problemas nos olhos, podendo gerar provocações, apelidos maldosos e, consequentemente, um abatimento emocional. Importante que pais e professores atuem de forma colaborativa para combater essas manifestações, com ações de conscientização e empatia.

Iara Tavares é oftalmologista  especialista em estrabismo.

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