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Futuro da medicina nunca foi tão humano

Vivemos um momento propício para refletirmos sobre o futuro da medicina. A maneira de pensar em saúde tem mudado e adquirido novas formas, numa ...

Libório Mule é médico e membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia

Última atualização

Vivemos um momento propício para refletirmos sobre o futuro da medicina. A maneira de pensar em saúde tem mudado e adquirido novas formas, numa velocidade cada vez mais expressiva.

O que preocupa, no entanto, é a projeção de muitos mitos, discursos superficiais e um olhar restrito sobre perspectivas futuras.

A parceria bem-sucedida entre medicina e tecnologia é uma realidade que tem quebrado paradigmas. Porém, para a sociedade, suas contextualizações e reais benefícios ainda são latentes.

Recentemente, a mídia tem colocado em pauta a Telemedicina, surgindo na sociedade com certo assombro. Estudos sobre a Telemedicina são realizados desde a revolução tecnológica, que se deu no final dos anos 1990 e avançou com a entrada da inteligência artificial.

Como especialista em medicina diagnóstica, a inovação tecnológica sempre esteve presente na base da minha formação, uma obrigatoriedade enraizada em meus valores na busca constante das melhores práticas em Diagnóstico por Imagem.

Profundas mudanças estão ainda por vir e a Telemedicina irá desempenhar um papel crucial nessa evolução do sistema de saúde, uma peça disruptiva não apenas no âmbito tecnológico, mas principalmente econômico e sociocultural.

A orientação via Telemedicina já é uma realidade no Brasil e no mundo, com alto índice de resolutividade, possibilitando um atendimento de qualidade e redução considerável das idas e vindas a diferentes laboratórios, o que evita desperdício de tempo e demora no diagnóstico.

Entretanto, também é essencial que exista um intercâmbio assertivo de informações clínicas para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes a distância, sem reduzir a importância da relação médico e paciente.

No Brasil, o serviço de emissão de laudos on-line está crescendo e se consolidando. Um dos pontos fortes do uso dessa prática é o atendimento a áreas remotas, sem a necessidade de um médico especialista em período integral.

Na prática, o fornecimento de laudos on-line, a distância, permite que vários exames possam ser feitos pela equipe médica especializada.

Através da tecnologia, o resultado é então enviado, via internet, para equipes médicas, compostas por especialistas habilitados a laudar, remotamente, exames em qualquer lugar do País ou do mundo.

O avanço é tão significativo que, para casos emergenciais, é possível entregar laudos minutos após a emissão do exame.

Percebo que, quando falamos em Telemedicina, no imaginário coletivo, configura-se apenas a imagem de um médico na tela do computador conversando com o paciente. Esse olhar social para o futuro da medicina precisa ser ressignificado.

Por fim, gostaria de ressaltar que o maior investimento não é apenas o tecnológico, como também em pessoas.

O avanço tecnológico demanda profissionais qualificados, ágeis e conectados com as novas práticas na saúde. Pensar em tecnologia sem agregar valor à mão de obra é inútil.

O futuro da medicina precisa de pilares solidificados em equipes capacitadas e alinhadas aos novos processos tecnológicos. E, principalmente, uma medicina conectada a valores sustentáveis, a um olhar humanizado e assistencial. Profissionais digitalizando saúde e compartilhando mais amor ao próximo.

Por essa razão é que podemos afirmar que, na era da tecnologia, o futuro da medicina nunca foi tão humano!

Libório Mule é médico e membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia.

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