Tudo que nós lemos influencia nossos pensamentos. Ao lermos livros ou quaisquer textos e até mesmo frases curtas (como citações, adágios populares, axiomas…) relevantes e bem escritos, nós estamos projetando as nossas mentes para assimilar ensinamentos essenciais que serão um baluarte de conhecimento e cultura para toda a vida. Como afirma o palestrante motivacional e consultor de negócios Matthew Kelly: “Ler é para a mente o que o exercício é para o corpo e a oração para a alma. Nós nos tornamos os livros que lemos”.
A leitura sempre esteve presente em minha vida e me ajudou muito, inclusive, nos momentos mais difíceis. Posso afirmar que me ajudou de diversas maneiras – modificou meus pensamentos (muitas vezes, quebrando paradigmas), deu vazão à minha criatividade, aprimorando-a, melhorou a minha escrita, trouxe-me clareza e poder de argumentação, aumentou o meu vocabulário, foi atenuante, catártica e consoladora nos momentos de tristeza e agonia, instigou-me a buscar mais informações novas, trouxe-me luz em momentos de ignorância e soluções para a resolução de problemas até então insolúveis para mim e ainda muito mais!
Li os maiores clássicos da literatura universal e continuo revisitando-os sempre, também leio livros inéditos e pertinentes e toda sorte de textos que se possa imaginar. Ademais, visito o jornal local diariamente para me manter informado. Descarto, obviamente, o que é irrelevante e guardo o que é importante, e assim também procedo não só no âmbito da leitura.
Faça uma pergunta e, ato contínuo, tomo a liberdade de respondê-la – é fácil ler? Não, particularmente não. Não é uma questão automática para o meu ser, que está no campo das minhas paixões, das minhas vontades ou do meu amor autêntico. Em verdade, sendo completamente sincero, é um sacrifício retirar um tempo para a leitura, ainda mais nestes tempos de prazeres imediatos muito mais atrativos, e devo acrescentar que sou muito ansioso e tenho dificuldade em manter a concentração. E constato que ocorre o mesmo com grande parte dos brasileiros. No entanto, forço-me a ler, pois é fato notório e amplamente divulgado há séculos que é uma atitude primordial para o desenvolvimento pessoal e que, unicamente, traz benesses, não havendo qualquer contra-indicação.
A minha mente preguiçosa frequentemente diz não querer a leitura em dado momento (claramente me sabotando e protelando, assim, a ação para que jamais seja executada), já o meu ser maduro e racional (que é o que sempre deve prevalecer e estar no comando da vida de todos nós) diz que é para ler imediatamente, pois não há tempo a perder, então me coloco à disposição, comprometo-me, exerço a autodisciplina e estabeleço um hábito rotineiro.
Ler é ou deveria ser, sobretudo, uma questão de escolha obrigatória: escolho ler diariamente! Está decretado, e eis tudo! Não deve haver outra opção, ou seja, a de não ler. Aqui não cabe não gostar. É irrelevante para o mundo o seu gosto, o seu querer. É como é procedido ou deveria ser, de maneira compulsória, por exemplo, com fazer exercício físico, alimentar-se bem, higienizar-se, ser educado, tratar os outros respeitosamente, estudar, “amar os outros como a si mesmo”…
Carlos Eduardo Freitas Martins é professor de Língua Portuguesa e Inglesa; pós-graduado em Especialização de Ensino da Língua Inglesa pela Ufes.