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Metodologias na educação superior para combater o machismo

A sociedade moderna, bem como avanços tecnológicos e sociais em várias áreas podem, erroneamente, nos fazer imaginar que conceitos e preconceitos ...

Fernanda Helena de Freitas Miranda

Última atualização

Fernanda Helena de Freitas Miranda (Foto: Tribuna Livre)A sociedade moderna, bem como avanços tecnológicos e sociais em várias áreas podem, erroneamente, nos fazer imaginar que conceitos e preconceitos nascidos em séculos anteriores não estão mais presentes. No entanto, o número alarmante de casos de violência contra a mulher, a disparidade salarial, a desigualdade na divisão de tarefas domésticas e visão da mulher como objeto de posse do homem ainda existem na sociedade atual, demonstrando que o machismo está longe de ser superado.

A persistência de pensamentos tradicionais e conservadores sobre gênero, sexo e sexualidade se faz presente em todos os espaços, inclusive em ambientes universitários. Logo, cabe também aos educadores do ensino superior, parte da responsabilidade em buscar formas de desconstruir esse tipo de ideia. Uma das maneiras que têm demonstrado resultados em diversos casos, inclusive no trabalho contra o machismo, é a adoção de metodologias ativas nas salas de aula.

Durante séculos imperou o pensamento de que o aluno tinha papel coadjuvante na academia, mas hoje, novas perspectivas, como as metodologias ativas, apontam que o espaço do aprender pode e deve se dar com uma maior autonomia do estudante, privilegiando seu protagonismo e favorecendo uma construção de conhecimento que esteja de acordo com as necessidades e realidades do século atual. O professor não deve mais ocupar um confortável e inquestionável lugar de poder, mas ser um facilitador dos processos de aprendizagem coletivos e individuais.

A partir dessa ideia, ao notar que em uma turma do curso de Direito, formada por 41 estudantes, sendo 23 alunas e 21 alunos, havia a reprodução de alguns pensamentos do senso comum e também resistência em trabalhar temas como Direitos Humanos e Feminismo, temas esses pouco conhecidos com profundidade pela maioria das pessoas, foi selecionado um conjunto de ações que privilegiou o protagonismo dos estudantes; a personalização das atividades e a experimentação e vivência de conteúdo.

Foram instrumentos fundamentais também: a interação entre os alunos, a utilização da tecnologia como facilitadora da aprendizagem e o contato com realidades diversas.

O objetivo central foi provocar reflexões e expandir a compreensão dos alunos a respeito dos temas Direitos Humanos e Feminismo e outros a eles relacionados, possibilitando que pudessem assumir uma postura crítica e embasada, abandonando a opiniões superficiais construídas a partir de informações equivocadas.

Completadas as atividades, foi possível identificar que o protagonismo dos alunos propiciou um aprendizado conceitual sólido e contínuo e também permitiu aos estudantes estabelecer vínculo e proximidade com a temática trabalhada. O exemplo mostra que o papel do professor dentro das novas perspectivas da educação, deve estar centrado antes no diagnóstico e proposição de aprendizado, do que na mera transmissão de conteúdo. A responsabilidade que todos nós temos em desconstruir preconceitos e combater as injustiças sociais é cada vez maior.

Fernanda Helena de Freitas Miranda é professora doutora da Unidade de Direito da Faesa

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