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Nem tudo que reluz é ouro

O mês de julho foi marcante sob vários aspectos e por vários episódios interessantes, do ponto de vista da segurança pública. Um deles, sem dúvida ...

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O mês de julho foi marcante sob vários aspectos e por vários episódios interessantes, do ponto de vista da segurança pública. Um deles, sem dúvida alguma, foi o roubo de 718,9 kg de ouro no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

O crime praticado, em termos de valores subtraídos, ganhou a medalha de bronze no rol dos crimes contra o patrimônio já realizados no Brasil.

Apenas o furto ao Banco Central de Fortaleza (em 2005 – R$ 165 milhões subtraídos) e o furto a 171 cofres particulares de uma agência do Banco Itaú, na Avenida Paulista (2011 – R$ 500 milhões subtraídos), superaram o roubo praticado no último dia 25 de julho.

Se considerarmos, no entanto, a prática de violência ou grave ameaça, o roubo do ouro fica em primeiro lugar no pódio, com 31 malotes roubados, avaliados em cerca de R$ 110 milhões.

Há um ditado que diz que a vida imita a arte.

Se no cinema, no entanto, roubos desse tipo são altamente engenhosos e elaborados, o que vimos na prática foi uma ação nada espetacular e, por incrível que possa parecer, relativamente simples!

Apenas oito homens armados, em dois veículos, conseguiram entrar em uma área que deveria ser ultra segura e, ameaçando de morte os funcionários do aeroporto e da companhia de valores, subtraíram quase uma tonelada do metal precioso.

Um detalhe, no entanto, viabilizou o sucesso da empreitada criminosa. Os ladrões, para garantirem a entrada no aeroporto, utilizaram veículos semelhantes aos usados pela Polícia Federal. Além disso, também se vestiram como policiais federais. Isso foi o suficiente para que nenhuma resistência fosse imposta aos bandidos.

A precariedade das nossas seguranças orgânicas e a falta de protocolos rígidos para acesso aos prédios públicos e privados brasileiros são problemas crônicos e generalizados.

Órgãos públicos em geral são, reiteradamente, vítimas de furtos. Nem mesmo delegacias de polícia estão imunes à ação de larápios, que, aproveitando-se da fragilidade de seus controles, furtam equipamentos e até mesmo armas de seus patrimônios.

A parte boa disso tudo é que a correção dessas fragilidades é relativamente simples. O estabelecimento de protocolos que aumentam consideravelmente a segurança orgânica dos prédios públicos também não é nada demasiadamente complexo.

Obviamente, é necessária uma mudança de cultura do servidor público que, normalmente, acredita que nada de pior acontecerá e, confiando na sorte, não segue ou não estabelece padrões de segurança como deveria.

Aqui nos EUA, só entra nos prédios (públicos ou privados) quem tem autorização prévia. Já presenciei agentes do FBI serem barrados em determinadas áreas do próprio prédio do FBI. Os níveis de acesso são diferenciados e os limites são religiosamente respeitados.

O estabelecimento de protocolos rígidos de segurança é uma demanda dos tempos modernos.
Mapeamento das vulnerabilidades e ameaças, controle com níveis diferenciados de acesso e utilização de credenciais eletrônicas são apenas alguns exemplos de mecanismos que precisam ser utilizados na preservação do patrimônio público e privado.

Precisamos, urgentemente, mudar nossa cultura! Somente assim ganharemos o ouro no quesito segurança!

EUGÊNIO RICAS é delegado federal, adido da PF nos EUA e mestre em Gestão Pública pela Ufes
 

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