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Novos modos de vida e a “economia de baixo contato”

Enquanto algumas tendências sinalizam movimentos socioculturais ou respostas para os desafios globais persistentes, outras emergiram do contexto ...

Riberto de Barros Araújo

Última atualização

Enquanto algumas tendências sinalizam movimentos socioculturais ou respostas para os desafios globais persistentes, outras emergiram do contexto específico da pandemia da Covid-19. A tendência da economia de baixo contato (low touch economy) está conectada ao 2º fator.

A pandemia desencadeada pelo novo coronavírus está promovendo restrições mais rígidas de higiene e protocolos de redução de interação social, interação esta que é uma condição fundamental para o modus vivendi que conhecemos e para o funcionamento de nossa sociedade.

As alterações forçadas, que estão criando novos hábitos nas pessoas, provocam transformações descomunais nas atividades de compra, nas experiências de consumo, nas relações pessoais e laborais.

Em decorrência, negócios diretamente impactados pela impossibilidade de aglomeração ou contato físico, como transporte urbano, lojas, hotéis, estádios e casas de espetáculos, após ultrapassarem o espanto inicial tiveram que disparar processos de reinvenção, em primeiro lugar para serem resilientes durante a quarentena, mas que projetem efeitos para o pós-crise de saúde.

Condições do contexto contemporâneo, como os problemas de mobilidade urbana e a oferta de soluções do arcabouço da tecnologia exponencial, já impulsionavam transformações que vinham acontecendo de forma gradual, mas em 2020 elas foram aceleradas abruptamente como o e-commerce, os serviços de delivery e a telemedicina.

Os fatos e desdobramentos associados à pandemia apontam para maiores investimentos em automação, para o emprego cada vez mais intenso de tecnologias digitais como os grandes bancos de dados, inteligência artificial, computação em nuvem, realidade aumentada, impressora 3D.

Na área pública é de se prever, por exemplo, a aceleração da digitalização dos serviços públicos, a consolidação das sessões legislativas e também das audiências do poder Judiciário a distância.

Por outro lado, as restrições a viagens internacionais e a insegurança da permanência em terra estrangeira devem levar ao resgate do turismo regional e à valorização de indústrias criativas locais.

Para a economia de baixo contato há, no entanto, desafios críticos a serem superados para que as novas soluções sejam seguras e efetivas, enquanto criativas e ágeis. Estes desafios estão localizados na acessibilidade, privacidade, ciber-resiliência (nível de segurança contra vandalismo e crimes digitais) e regulamentação.

Redesenhar negócios implica em encontrar novos pontos de equilíbrio, por exemplo, quando se limita o número de clientes em um restaurante. Como a conta fecha, como continuar sustentável?

Nesta tendência da economia do baixo contato, os processos de concepção e oferta dos novos produtos e serviços precisam contemplar a integração da força de trabalho existente e se esforçar para não excluir o atendimento aos grupos sociais vulneráveis.

RIBERTO DE BARROS ARAÚJO é consultor estratégico

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