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O bem-estar na escola

Fazer da escola um espaço de bem-estar para alunos, pais, professores e toda a comunidade escolar é – ou deveria ser – papel de todos os agentes ...

Ana Rita Costa Gomes é psicóloga e sócia-fundadora de escola

Última atualização

Fazer da escola um espaço de bem-estar para alunos, pais, professores e toda a comunidade escolar é – ou deveria ser – papel de todos os agentes envolvidos no processo educacional.
Sabe-se das dificuldades práticas neste sentido, ainda mais em ambientes em que falta o básico para garantir o aprendizado.

Mas pensar em formas de garantir o bem-estar no ambiente escolar é contribuir para tornar a relação ensino-aprendizagem mais eficaz e, principalmente, fazer mais felizes crianças, adolescentes e adultos no contexto da educação formal.

Isso dentro de um conceito de saúde e bem-estar bem mais amplo do que prega a cultura de sensações e de imediatismo, típica dos novos tempos.

Trata-se de pensar o bem-estar tendo como referência, por exemplo, o pensamento desenvolvido pelo filósofo e médico francês Georges Canguilhem, que, em suas obras, apresenta a saúde como a capacidade de lidar com as intercorrências do meio, entendidos como os problemas e desafios que fazem parte de todas as histórias de vida.

É preciso pensar o sujeito escolar como um todo, entendendo saúde física, mental e emocional como uma coisa só, indissociável. É preciso entender a vida como transformação, invenção e reinvenção, instabilidade. Porque vida também é conflito, mudança, dor, adoecimento.

Saber disso, refletir e se colocar no mundo com uma visão ampliada e aberta só trarão ganhos pessoais e profissionais para este aluno que, no mercado de trabalho, vai conviver, trabalhar em grupo, traçar e cumprir metas, atender e ser atendido, liderar e ser liderado, criar, projetar, cuidar…

E que, na vida pessoal, precisará de equilíbrio para lidar com os senões e dificuldades com os quais já se depara e que seguirá enfrentando. O caminho do diálogo, do dar voz – ensinando a falar e ouvir – é um lugar de crescimento e diálogo.

Na prática, em rodas de conversa, chamadas formalmente de assembleias, sentados no chão da sala de aula, temos o privilégio de ver alunos de todas as idades – entre 6 e 16 anos – expondo suas ideias, sentimentos, sugestões e críticas, numa experiência implantada a partir de visitas a escolas finlandesas.

Por meio desses encontros realizados regularmente, os estudantes, em suas salas de aula, têm a oportunidade de falar, criticar, comentar, expor, reivindicar, valorizar… Com a mediação de um profissional, cuja função não é de liderança, descentraliza-se o poder e horizontalizam-se as relações.

Integração, autonomia, corresponsabilidade, habilidade na resolução de conflitos, desenvolvimento de competências socioemocionais são só alguns dos ganhos percebidos.

O desenvolvimento da responsabilidade e da autonomia é importante na aprendizagem focada no futuro, já que a sociedade e os modos de vida atuais não contribuem para o desenvolvimento dessas habilidades.

O crescimento também vem ouvindo o outro e – até sem perceber – aprendendo, ao “olhar” o mundo a partir de uma visão diferente da sua; vivendo uma experiência de autonomia e de organização em grupo; desenvolvendo segurança e pertencimento.

A escola não pode, não deve e nem tem condições de assumir um lugar de educação e de transmissão de valores que pertence às famílias. Mas, enquanto ambiente de formação de pessoas, ela não pode se furtar em assumir esses desafios e dar a sua contribuição.

O que está em jogo é o que há de mais importante: a vida e a formação de seres humanos.

Ana Rita Costa Gomes é psicóloga e sócia-fundadora de escola.

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