É muito comum ver pessoas elencando, dentre suas qualidades, o perfeccionismo. Há, entretanto, uma grande diferença entre se dispor a fazer algo da melhor forma e exigir de si resultados perfeitos. A busca por soluções perfeitas faz com que as pessoas fiquem extremamente insatisfeitas e se sintam fracas, incompetentes e sem esperança. Para uma pessoa perfeccionista, a falta de perfeição é vista como fracasso e fragilidade. Isso a paralisa e a impede de realizarO mundo atual nos impõe, realmente, metas de perfeição, no trabalho, na aparência física, nas conquistas financeiras, nos contatos sociais… Isso reforça nas pessoas perfeccionistas a crença de que só serão aceitas se forem sempre as melhores. A consequência disso é uma constante insatisfação, pois as expectativas nunca param de crescer e se tornam inalcançáveis.
É engano acreditar que o perfeccionismo ajuda a encontrar a melhor solução para tudo. Na verdade, a exigência de perfeição faz o indivíduo rejeitar todas as alternativas, por não serem perfeitas. Isso faz com que ele se torne indeciso, procrastinador e sempre insatisfeito com as opções disponíveis.
Exigir perfeição não impede que nos arrependamos pelas nossas decisões. Pelo contrário. O perfeccionismo nos faz olhar para traz e perceber que todas as decisões que tomamos e que não nos levaram aos melhores resultados foram decisões erradas, e isso gera uma sensação de intenso arrependimento.
O perfeccionismo não nos impede de correr riscos. Todas as escolhas feitas na vida têm algum potencial desfavorável, envolvem riscos e possíveis desvantagens. Qualquer pessoa, ao exigir perfeição nas decisões, cai na armadilha de deixar de arriscar para realizar qualquer coisa. Com isso, acaba perdendo oportunidades e está sujeita à estagnação.
Ser perfeccionista não é uma garantia de competência e sucesso. Muitas vezes, essa característica leva a um detalhismo inútil e a desgastes que podem tirar o foco daquilo que realmente importa, impedindo de traçar as prioridades e de lidar com os imprevistos. Pode, ao contrário, tornar o sujeito mais lento e indeciso, comprometendo sua produtividade e sua competência.
Quem é perfeccionista não erra por ação, mas, sim, por omissão. Tenta controlar as emoções, porque entende que, por não serem racionais, atrapalham a busca do funcionamento perfeito. Geralmente, critica excessivamente os outros, porque, como lida com seres imperfeitos, não considera ninguém bom o suficiente, desvalorizando as amizades e os momentos de lazer. Torna-se uma pessoa rígida e emocionalmente distante.
Nenhum ser humano é perfeito. Logo, a imperfeição pode, sim, ser bem-sucedida, afinal, todas as pessoas bem-sucedidas do mundo alcançaram o sucesso, mesmo sendo imperfeitas. As pessoas progridem por meio de passos imperfeitos, mas na direção certa.
Buscar a redução dos erros é uma atitude saudável. O que não é saudável é exigir de si mesmo que nenhum erro aconteça ou encarar uma falha como uma anomalia ou algo imperdoável, resultante de um defeito inaceitável que só existe nos fracassados.
Quem se identifica com esse comportamento precisa buscar ajuda. Através da psicoterapia, é possível aprender a aceitar as imperfeições do ser humano. Aceitar as próprias imperfeições.
Rubia Passamai Navarro é psicóloga.