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O professor, o seu papel e as mudanças nos dias atuais

A docência é mais que uma profissão, é uma vocação: é um sacerdócio. O profissional da educação sabe que sua missão vai além de “educar a criança no ...

Juliano Pavesi é professor e presidente do Sindicato dos Professores do Espírito Santo (Sinpro-ES).

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A docência é mais que uma profissão, é uma vocação: é um sacerdócio. O profissional da educação sabe que sua missão vai além de “educar a criança no caminho em que deve andar…”, mas de contribuir na formação de um cidadão consciente que irá intervir no mundo que o cerca, instruindo esse sujeito a conviver em sociedade, sendo-lhe atribuída ainda a responsabilidade de tornar todas as profissões possíveis, afinal todos já tiveram ou terão um mestre que os ensine e os inspire.

Relacionada ao contexto político, econômico, científico e cultural de uma sociedade, a educação é um processo constante, não se apresentando da mesma forma ao longo dos tempos. Dentro dessa perspectiva, o papel do docente também passa por transformação, exigindo dele novas práticas e constantes atualizações.

Em uma educação imersa na cultura digital, esse profissional deve desenvolver habilidades com as novas tecnologias fazendo delas aliadas no processo de ensino-aprendizagem, de forma a despertar a atenção de seus discentes e, sobretudo incorporando neles a capacidade de pensar, de interpretar e de solucionar problemas, já que os conteúdos escolares, em si, não são o suficiente para estes discentes.

Nascidas na era digital, as gerações Z (oriundos no final dos anos 1990 e no início dos anos 2000) e Alpha (composta de crianças nascidas a partir de 2010) transformaram o modo de ensinar, conferindo ao professor a função de mediador, de transformador de sentidos, daquele que busca a formação de alunos protagonistas e responsáveis por seu processo de aprendizagem.

Na lógica de tantos avanços da modernidade, o docente brasileiro vive um momento de recuo e com grandes obstáculos a serem superados: incertezas, desvalorização, mudanças e, sobretudo de perdas de direitos trazendo implicações na trajetória desse trabalhador que sofre drasticamente com os efeitos da crise na política, na economia e na educação escolar do Brasil.

Em meio a esse cenário, o sistema educacional dá um passo atrás quanto às conquistas obtidas no início dos anos 2000 no país – do que compreendíamos como uma educação cidadã, não só por razão dos cortes orçamentários, mas pela censura no processo educacional, fragilizando o debate no espaço democrático escolar e a possibilidade de reflexões sobre a pluralidade e a diversidade, inviabilizando conexões sobre os temas para além das paredes da sala de aula, suprimindo dessa instituição, genuinamente coletiva, uma educação de qualidade que alcance a todos.

O educador Paulo Freire dizia que: “é preciso ter esperança. Mas tem de ser esperança do verbo esperançar”. Por que isso? Porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. Esperança do verbo esperar não é esperança, é espera”.

Nesse sentido, queremos parabenizar todos os professores e professoras por seu dia, na data de hoje, e desejar a toda nossa categoria esperança, mas do verbo esperançar, no sentido de almejar, sonhar, agir, buscar e nunca desistir de uma formação adequada e continuada, de melhores salários e condições de trabalho, de lutar permanentemente por nossa classe; de modo que possamos exercer nossa profissão com dignidade e o reconhecimento necessário.

Juliano Pavesi é professor e presidente do Sindicato dos Professores do Espírito Santo (Sinpro-ES).

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