Crises de medo, terror e angústia. Em minutos, uma mistura de sintomas físicos e emocionais traz a sensação de morte iminente. Os ataques de pânico, típicos da doença conhecida como Transtorno do Pânico, ocorrem dessa forma.
Não existe faixa etária determinada para a ocorrência da síndrome, podendo ocorrer na adolescência e na idade adulta, sem motivos aparentes.
Estresse acentuado, uso excessivo de alguns medicamentos, de álcool e de drogas, bem como fatores genéticos, são elencados como possíveis desencadeadores do problema, que pode se transformar em outros, caso não seja tratado.
Isso porque uma pessoa que sofre de Transtorno do Pânico fica tão apavorada e traumatizada com os episódios que passa a ter crises de ansiedade e a desenvolver quadros depressivos, por não saber quando será acometida por um novo ataque de pânico.
Alguns até buscam uma fuga para esses sintomas no consumo excessivo de álcool.
É importante destacar que, assim como o transtorno bipolar, por exemplo, não se caracteriza por mudanças de humor no decorrer de um dia, o Transtorno do Pânico não deve ser confundido com uma situação de medo excessivo diante de um problema específico. A doença, que demanda um diagnóstico feito por especialistas em saúde mental, é caracterizada por crises que se repetem sem causas evidentes e que refletem negativamente no modo de viver do paciente.
Palpitações, taquicardia, vertigem, asfixia, ondas de calor e frio e sudorese são alguns dos sintomas que acompanham um ataque de pânico. Os sinais corporais e a sensação de morte não estão, entretanto, relacionados a um problema físico. A causa deles é psíquica e desencadeia um modelo biológico importante para a busca do tratamento.
Apesar de os sintomas sugerirem que a causa está no coração, a origem biológica se dá no sistema nervoso central, a partir da interação entre estruturas que compõem o circuito do medo.
Ocorre um alarme falso disparado por estruturas que servem para nos proteger do sufocamento.
Essas estruturas são chamadas de quimiorreceptores, que funcionam como sensores de gás carbônico no sangue. Níveis elevados desse gás são ameaçadores para a nossa vida.
Quem sofre de Transtorno do Pânico tem quimiorreceptores hipersensíveis, que disparam um alarme falso de sufocamento, mesmo com níveis de gás carbônico considerados seguros.
Isso desencadeia uma sequência de reações de proteção do organismo. A hiperventilação, por exemplo, teria uma função protetora, caso o gás carbônico estivesse elevado, pois contribui para a redução do seu efeito tóxico.
Mas, quando o alarme é falso, ela passa a contribuir para o mal-estar do paciente, pois deixa os níveis de gás carbônico muito baixos no organismo, provocando a alcalose respiratória e desencadeando reações típicas do pânico, como vertigem, náuseas e taquicardia.
Essa é uma das explicações biológicas para esse transtorno psicológico, cujo tratamento pode incluir diversas técnicas, como a habituação do paciente às reações fisiológicas tidas como ameaçadoras, relaxamento e controle da respiração e reestruturação cognitiva para auxiliar na modificação de pensamentos catastróficos e de projeções negativas.
A avaliação psiquiátrica também é importante, pois antidepressivos com ação na serotonina contribuem para o controle dos sintomas.