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Qual é o lugar do esporte no Brasil?

O esporte é um ótimo indicador social. Tenho acompanhado o Pan de Lima, e a cada vez que um brasileiro ou uma brasileira sobe ao pódio me encho de ...

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O esporte é um ótimo indicador social. Tenho acompanhado o Pan de Lima, e a cada vez que um brasileiro ou uma brasileira sobe ao pódio me encho de alegria, pois sei que competir em alto nível significa renúncia, disciplina e muito, muito trabalho. Agora, existe um pano de fundo que não cabe ao/à atleta.

Em termos de população, do lado de cá do globo estamos atrás apenas dos Estados Unidos, e no mundo somos a quinta maior. Nunca se sabe quando ou de onde vai sair o próximo campeão mundial em uma modalidade, mas é possível afirmar que quanto maior uma população, maiores as chances de haver pessoas com propensão a desenvolver as mais variadas atividades corporais. É probabilístico. Não à toa grandes populações dominam os quadros de medalha. Naturalmente, então, temos potencial para competir nas cabeças tanto no Pan quanto nas Olimpíadas.

Mas o que de fato gera resultado, para além dos esforços pessoais, é a política esportiva desenvolvida pelos governos.

No Brasil, o historicamente baixo investimento fez do Esporte quase sempre secundário, e embora 25,6% (cerca de 53 milhões) de brasileiros e brasileiras pratiquem algum esporte, segundo dados do Diagnóstico Nacional do Esporte (2015), o Esporte só ganhou um Ministério separado efetivamente em 2003.

Desde 1937, no início de sua história institucional, até a metade final da década de 1990, esteve vinculado ao Ministério da Educação (MEC), cabendo sempre a alguma subdivisão do MEC a estruturação do Esporte nacional, sendo comum atletas terem que manter suas carreiras por conta e riscos próprios.

A mudança de perspectiva foi positiva, tendo sido instituídas também importantes ferramentas de gestão como o Conselho e as Conferências Nacionais de Esporte, além do aumento do aporte financeiro e de legislação e programas de incentivo como o Bolsa Atleta, de 2005. É também verdade que novas modalidades foram sendo acrescentadas nos torneios ao longo do tempo, mas o reflexo disso nos quadros de medalhas é evidente: no Pan de 95 (Mar del Plata), obtivemos 18 ouros. Em 1999 (Winnipeg), 25. Em 2003 (Santo Domingo), 29. No histórico Pan do Rio, em 2007, foram 52. Em 2011 (Guadalajara), 48. Em 2015 (Toronto), 42.

Esse ano, 333 dos 485 atletas inscritos para representar o Brasil têm o suporte do Bolsa Atleta, e até o momento 82% dos pódios brasileiros têm a marca do incentivo. Nossos melhores resultados, ainda que tímidos em relação ao nosso potencial, foram fruto colhido de uma árvore plantada e regada a muitas mãos, entre atletas, governantes, federações, torcedores e patrocinadores.

Agora, desde 1º de janeiro de 2019, o antigo Ministério do Esporte volta a ter status de Secretaria, vinculada ao Ministério da Cidadania.

O Bolsa Atleta segue, mas modificado, após redução de 33% no orçamento de 2018 para 2019, excluindo assim atletas de base e estudantis, permanecendo os esportistas de nível nacional, internacional e olímpico.

A curto prazo, o efeito pode não ser sentido. Mas no médio prazo, a depender do nosso caminho, poderemos não subir tanto no pódio quanto gostaríamos e merecemos. E o sonho de representar o Brasil mundo afora ficar cada vez mais distante para cada vez mais jovens.

Bernardo Figueiredo é presidente da Atlética Central dos Estudantes da Ufes.

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