
Segundo dados do relatório World Employment and Social Outlook – Trends 2016 WESO, da Organização Internacional do Trabalho, em 2015, o desemprego global total foi de 197,1 milhões.
Os dados de 2016 devem apontar um aumento de cerca de 2,3 milhões nesse número. Já para 2017, a previsão é de que mais 1,1 milhão de desempregados provavelmente serão adicionados ao registro global.
Relatos da European Round TableofIndustrialists – ERT indicam, ainda, que o conceito de emprego para toda a vida se esgotou. As novas relações e demandas sociais demonstram maior mobilidade profissional, bem como maiores exigências de flexibilidade e capacidade de inovar.
Há um consenso internacional de que estimular iniciativas empreendedoras, que promovem o autoemprego, criam novos negócios, geram vagas de trabalho e promovem a circulação de riquezas, seja a grande alternativa para o enfrentamento das dificuldades e crescimento econômico.
Relatórios da pesquisa de Monitoramento Global de Empreendedorismo, contudo, revelam distinções entre o empreendedorismo motivado pela necessidade e aquele que identifica oportunidades reais. Quanto maior o nível de educação e desenvolvimento de habilidades e competências de um indivíduo, maior a sua capacidade de encontrar oportunidades de negócios.
Disto se extrai a importância da aprendizagem contínua do empreendedorismo, que deve ter início na infância. O ensino do empreendedorismo no início da formação escolar promove o pensamento criativo e a solução de problemas; contribui para o aprendizado escolar; amplia a visão do trabalho e das opções de carreiras profissionais e, a médio e longo prazo, contribui para o crescimento econômico.
Somando-se a isso, a educação empreendedora na infância, quando valores estão em formação, explora potenciais, estimula o desenvolvimento de um agir autoconfiante e de habilidades e competências tidas como empreendedoras, mas desejáveis para a vida, como criatividade, iniciativa, gerenciamento de riscos, resiliência, organização, planejamento, inovação, relacionamento interpessoal, entre outras.

O mundo líquido do século XXI apresenta um cenário desafiador para o campo educacional, tendo em vista os impactos das transformações potencializadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s), as quais suscitam novas e complexas formas de organização da vida social. As instituições educacionais tem que buscar a construção de meios intelectuais, de saberes e de competências, para serem internalizados, como fontes de autonomia, capacidade de expressão, de negociação, de proatividade e de criatividade
Habilidades e competências empreendedoras, portanto, podem e devem ser estimuladas e desenvolvidas desde a infância, sendo objeto, posteriormente, de uma formação contínua. Os empreendedores juniores são convocados a sonhar e a transformar seus sonhos em possibilidades de projetos reais, por meio da visão. Em seguida identificam oportunidades de realização de suas ideias e buscam realizá-las, sendo encorajados a agirem proativamente, tornando-se protagonistas. Os objetivos da educação empreendedora extrapolam a concepção de formação para uma ocupação profissional, consistem em uma preparação para a vida.
Ivana Bonesi Rodrigues Lellis é educadora de empreendedorismo e inovação e mestre em Direitos Difusos e Coletivos pela PUC-SP.
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