
O país superou o patamar de 30 mortes por 100 mil habitantes, com uma taxa de homicídios 30 vezes maior que a registrada na Europa.
O número de mortes é equivalente ao episódio da bomba nuclear que devastou a cidade de Nagasaki, em 1945, no Japão. Entre os policiais Civis e Militares, foram 367 vítimas de homicídio em 2017. Somente em 2018, no Rio de Janeiro, já foram mais de 70 policiais assassinados. São profissionais perdendo a vida exercendo a sua função de proteger a sociedade.
É um cenário que traz o medo generalizado para a sociedade, impacta diretamente a economia e o crescimento do país e nos tira um direito básico garantido pela Constituição: a segurança pública. Mas, continuamos com um orçamento mínimo nessa área. A previsão orçamentária do Ministério de Segurança Pública, criado em 2018, é de R$ 2,7 bilhões para este ano.
Em 2017, a União gastou R$ 9,7 bilhões com segurança pública. Apesar de um aumento de 6,9% em relação a 2016, a participação dessas despesas no total gasto no país é de 2,5%. Já os estados gastaram R$ 69,8 bilhões, um crescimento de 0,2%, e os municípios reduziram em 2% os gastos, com R$ 5,1 bilhões. Nos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a participação desses gastos é de 4,5%.
Em ano de eleição, a população precisa compreender ainda mais a importância de seu papel. É preciso que todos entendam que, junto com saúde e educação, segurança pública está entre os pilares do desenvolvimento. Não adianta termos um sem o outro.
Os novos rostos que irão ocupar os cargos precisam estar dispostos a adotar medidas que amenizem a violência, propondo políticas públicas para a área que não sejam planos emergenciais lançados em momentos de crise e que mudam a cada governo. É preciso que nos apresentem, de fato, uma Política Nacional de Segurança.
Avalie todos os seus possíveis candidatos, inclusive verificando se já tiveram relação com a corrupção. Analise o seu posicionamento em relação aos assuntos de grande impacto para a sociedade, como a segurança pública.
A pauta dos nossos representantes não deve ficar limitada a temas como legalização da maconha, redução da maioridade penal e posse de armas de fogo. É preciso discutir a segurança pública como um todo. Discutir seriamente as estruturas das polícias e o modelo ineficiente de investigação praticado no país. Só assim, conseguiremos fazer mudanças que realmente tragam de fato eficiência para a repressão e a elucidação dos crimes praticados.
As soluções existem, o que precisamos é vontade e determinação dos futuros governantes e parlamentares para tratar a segurança pública como prioridade nacional, fazendo as mudanças necessárias para podermos ter um país mais seguro.
Marcus Firme dos Reis é presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo (Sinpef-ES)