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A Riodejaneirização da violência capixaba

por: Fábio Pedroto "Precisamos buscar soluções agora para não nos tornarmos o que atualmente é a Cidade 'Maravilhosa'" O processo de recrudescimento ...

Última atualização

 

 

 

 

 

 

 

por: Fábio Pedroto

 

“Precisamos buscar soluções agora para não nos tornarmos o que atualmente é a Cidade ‘Maravilhosa'”

 

O processo de recrudescimento da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro remonta meados dos anos 1970 do século passado, quando os vendedores de drogas proibidas passaram a se armar para defender seus pontos de venda nas comunidades.

Décadas antes já se instaurava a proibição das drogas. Em 1830, na capital do império, a “lei do pito do pango” (um dos nomes pelos quais se conhecia a maconha) trazia a pena de três dias de cárcere ao usuário e apenas multa de 20 contos de réis ao vendedor, já demonstrando a tradição brasileira de se punir a pobreza e de ser condescendente com as altas classes.

A proibição, combustível para a violência, iniciava nossa guerra de guerrilhas.

Após subir os morros as drogas passaram a ser vendidas em grande escala, sobretudo depois da democratização do consumo da cocaína.
A partir de então vimos a cidade sangrar: entre o asfalto e a favela, grupos rivais se enfrentavam e arrostavam a polícia, cumpridora dos mandos desde os tempos imperiais: reprimir os foras da lei, plasmados na miséria e exclusão.

A cidade passou a contabilizar às dezenas os policiais mortos nessa repressão sem sentido, lançados à toda sorte de políticas equivocadas, e assim igualmente se perdiam as vidas daqueles que escolheram como ocupação a venda destas substâncias.

A disputa bélica se acentuava entre os grupos criminosos, onde quem possuía o melhor fuzil impunha o maior temor.
Armas de guerra atravessando luxuosas avenidas e corpos matáveis, com a violência não causando mais qualquer indignação.

Amontoávamos nossos mortos e recrutávamos imediatamente novos combatentes.

Hoje, o Rio de Janeiro tem testemunhado uma violência sem igual, com pessoas armadas de fuzis assaltando veículos nas ruas à luz do dia e policiais sendo caçados sistematicamente, com ações cada vez mais espetaculares.

O território fragmentado entre milicianos, criminosos de terno e as chamadas “facções” geram mais desordem e desesperança.

Do lado de cá das trincheiras nossas respostas também tem sido à altura, na forma de uma espiral que se retroalimenta, como traduz o sociólogo Luiz Eduardo Soares.

No Espírito Santo já temos observado uma crescente da violência, algo inimaginável há alguns anos. Policiais mortos ou feridos já não tem sido um acontecimento tão incomum.

Ataques a tiros contra viaturas não parecem merecer maior atenção da sociedade, sendo algo que presumam fazer parte da rotina policial. Mas evidentemente que assim não pode ser.

Armamentos cada vez mais potentes sendo apreendidos demonstram que algo está acontecendo: hoje somos o Rio de Janeiro dos anos 1970.

Precisamos buscar soluções agora para não nos tornarmos em alguns anos o que atualmente é a Cidade “Maravilhosa”. Como? Tratamento multidisciplinar para todas as causas da violência.

É com educação, inclusão social, serviços públicos para todos e combate à corrupção que sedimentaremos o caminho do futuro, que espero seja melhor que o de nosso vizinho.

 

Fábio Pedroto é ex-policial militar e ex-inspetor penitenciário do estado do Rio de Janeiro. É delegado no Espírito Santo e professor

 

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected]

 

 

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