por: Flávio dos Santos Oliveira
“A capacidade de produção de um país vincula-se às condições da sociedade em que o indivíduo é educado”
Há muito se sabe que a riqueza da nação é algo muito diferente do que a soma total da riqueza individual, e que um incremento da riqueza de uma classe de cidadãos não necessariamente implica um aumento igual da riqueza nacional.
De fato, a ideia de que os indivíduos, na promoção dos seus interesses, beneficiam toda a nação, deriva da concepção de riqueza de Adam Smith (1711-1790).
Em “A Riqueza das Nações”, Smith mostra como um indivíduo cria, aumenta e consome a riqueza na sociedade junto com outros indivíduos e como a indústria e a riqueza da humanidade influenciam a indústria e a riqueza do indivíduo.
Esse princípio, contudo, somente seria verdadeiro se o interesse dos indivíduos e o interesse nacional nunca estivessem em oposição. De fato, um país pode ter homens extremamente ricos, e ser extremamente pobre.
Em contrapartida, Friedrich List (1789-1846) explica que a riqueza de um país está intrinsecamente relacionada à interação entre o capital material e as habilidades dos seus cidadãos, sua indústria e iniciativa.
Distinguem-se, pois, três tipos de capitais, a saber: o capital natural, o capital mental e o capital material. A produtividade deste último depende dos dois primeiros, ou seja, da fertilidade da terra e da disponibilidade de recursos minerais, no primeiro caso; e especialmente, da habilidade, formação e destreza do povo, dos avanços da ciência, da tecnologia e do sistema educacional, no tocante ao capital mental.
List sugere que de nada adiantaria uma nação dispor de quedas d’áqua, madeira, lã e tudo o que for necessário para produzir, e não dispor de homens habilidosos e experientes para erguer a indústria e levá-la à frente.
Nessa situação, caso se empregue parte de seu capital material na formação do capital mental dos seus concidadãos, fazendo-lhes adquirir habilidades e competências na condução dos seus negócios, o dispêndio imediato de recursos para a instrução produzirá em breve espaço de tempo uma rentabilidade 10 vezes maior do que os gastos.
Em outras palavras, uma nação que investe na formação e desenvolvimento das suas forças produtivas, a princípio, pode ter um pequeno dispêndio.
Essa despesa, todavia, é ínfima se comparada com a expansão do poder produtivo nacional, e será depois de alguns anos grandemente compensada pelos benefícios provenientes de uma economia desenvolvida.
Com efeito, a capacidade de produção de um país vincula-se, em muitos aspectos, às condições da sociedade em que o indivíduo é educado, o que depende basicamente de um contexto em que a ciência e as artes floresçam, que as leis e instituições públicas tendam a promover a moralidade e a inteligência, a segurança da pessoa e da propriedade, a liberdade e a justiça; que, na respectiva nação, sejam cultivados harmoniosamente todos os fatores da prosperidade material, da agricultura, da indústria e do comércio.
Nisto repousa o estado de coisas que configura aquilo a que se entende por riqueza nacional.
Flávio dos Santos Oliveira é doutor em História e bolsista pós-doutorado Fapes/Profix junto ao Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas da Ufes
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