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Cientistas da escassez

por: Claudeci Pereira "A escolha das melhores alternativas depende das opções sociais e políticas" Mais do que qualquer outro profissional, o ...

Última atualização

por: Claudeci Pereira

“A escolha das melhores alternativas depende das opções sociais e políticas”

Mais do que qualquer outro profissional, o economista sabe que tudo o que a humanidade precisa para sobreviver vem da natureza, do nosso planeta. Chamar algo de nosso é assumirmos que, se não retirarmos dele o suficiente para nos mantermos, corremos o sério risco de extinguirmos alguns recursos.
A água é um deles, que há pouco tempo era considerada abundante pela maioria da população e dos governos.
De fato, quando algo é abundante tendemos a concedê-lo pouco “valor” (valor de troca). Recordei então que, para a ciência econômica, todos os recursos são insuficientes e finitos e, portanto, importantes para o funcionamento e sobrevivência de qualquer forma de organização da produção social.
Na década de 30 do século XX, o britânico Lionel Charles Robbins criou o conceito de economia que seria aceito pela a maioria das correntes. Segundo ele, é a “ciência que estuda as formas do comportamento humano, resultantes da relação existente entre as limitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos alternativos”.
O hiato entre necessidades infinitas e recursos escassos está na base da existência da ciência econômica. De um lado, os indivíduos sociais demandam ilimitadamente bens e serviços que, por vezes, ultrapassam suas necessidades biológicas e entram no campo psicológico. De outro, os recursos como terra, matérias-primas, máquinas, tecnologia e trabalho são escassos para produzir as quantidades desejáveis.
A partir desse pensamento, a economia ficou conhecida, principalmente com o despertar entre a discrepância entre os países ricos e pobres, como a “ciência da escassez”.
O problema da escassez, em contrapartida com o crescente desejo de consumo da sociedade, impõe ao cientista econômico a alocação eficiente dos recursos para alcançar maiores níveis de produção, com o menor número de recursos possível. Daí considera-se que a problemática da economia é saber o que, como, quanto e para quem produzir.
Se as necessidades humanas são atendidas através do consumo, o qual é objetivado através da compra, geralmente em moeda corrente, pode-se dizer que grande parte da população é privada de consumir, pois sua renda é insuficiente para comprar bens e serviços para sua satisfação.
Muitas pessoas inclusive são privadas de necessidades essenciais, como as biológicas. Desse modo, em grande parte do mundo, a ciência econômica ainda não atingiu seu objetivo de cuidar melhor da administração dos escassos recursos disponíveis para a satisfação das necessidades humanas.
Como lembra Michael Todaro, é a escassez que dá origem à escolha, e escolhas envolvem conflitos. E a escolha das melhores alternativas depende das opções sociais e políticas feitas pela própria sociedade e seus governantes. Vê-se claramente que a economia está inter-relacionada com outras ciências para a explicação dos problemas econômicos e sociais.
O desafio dos economistas não é pequeno. A maioria dos “cientistas da escassez” tem conhecimento que, dentro do atual estágio das economias de mercado, os problemas de privação do consumo de bens e serviços serão minimizados à medida que a sociedade conseguir distribuir melhor a riqueza.
Claudeci Pereira é  conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade -ES

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

 

 

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