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Em busca da longevidade humana

por: Alexandre Maulaz Barcelos "Longevidade tem relação com nossa genética e com bons hábitos alimentares e de vida" A francesa Jeanne Louise Calment ...

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por: Alexandre Maulaz Barcelos

 

“Longevidade tem relação com nossa genética e com bons hábitos alimentares e de vida”

 

A francesa Jeanne Louise Calment é considerada a pessoa que viveu mais tempo aqui na Terra. Foram 122 primaveras e 164 dias. Jeanne viu a construção da Torre Eiffel, conheceu Van Gogh, e foi testemunha ocular das duas grandes guerras mundiais.

Quando completou 90 anos, idosa e sem herdeiros, Jeanne fez um trato com seu advogado, o senhor André-François Raffray. Ele pagaria mensalmente 2500 francos à Jeanne até a sua morte. Em troca, ele herdaria o apartamento da francesa.

Depois de pagar o dobro do que o imóvel valia, Raffray faleceu aos 77 anos. Jeanne? Ela foi ao enterro do amigo com seu relógio biológico marcando 120 anos.

Jeanne possuía hábitos e características genéticas que colaboraram para sua longevidade: tomava uma taça de vinho diariamente, praticava exercícios, consumia azeite de oliva e chocolate amargo.

Desde os primórdios, nossa espécie busca prolongar sua estadia terrena. Considerando que a expectativa de vida na Alemanha no século XIX era de 37 anos, e que a expectativa atual no Japão é de 81 anos, não há como negar que avançamos.

Após o ano de 1900, muitas melhorias favoreceram esse aumento de longevidade: avanços no saneamento básico, surgimento de vacinas e antibióticos, entre outros.

Hoje nos perguntamos: existe limite de idade para nossa espécie? Há controvérsias.

Alguns pesquisadores acreditam que não há limite, e que a maneira mais racional para ganharmos anos de vida seria retardando a velocidade do envelhecimento.

Isso atrasaria o aparecimento de doenças cardiovasculares, degenerativas e neoplasias. Mas como frear o envelhecimento?
Alguns medicamentos testados em animais são promissores. Dr. Bazilai, pesquisador em Nova Iorque, conta que o medicamento Metformin – usado para tratar diabetes – parece ser um deles. Esta droga reduziu o estresse oxidativo e inflamação em modelos animais, resultando em aumento da expectativa de vida.

De posse desses dados, Bazilai desenhou o estudo TAME. Neste projeto, um grupo de idosos receberá Metformin enquanto outro grupo tomará uma pílula sem princípio ativo. Em sete anos saberemos se Metformin pode retardar o envelhecimento humano.

Dr. Nir acredita que, se o estudo TAME for aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, ele abrirá portas para testes com outros medicamentos mais potentes.

Como contraponto às ideias de Bazilai, um estudo publicado em 2016, na revista “Nature”, utilizando modelos estatísticos, defende que o limite biológico da espécie humana seria de 126 anos. Mas muitos cientistas discordam.

Enquanto não temos pílulas para desacelerar o envelhecimento, cabe aqui lembrarmos o que já está consolidado.
Longevidade tem relação com nossa genética e com bons hábitos alimentares e de vida.

Pode até ser que seguindo os passos de Jeanne não cheguemos aos 122 anos, mas seguramente viveremos os anos que nos restam com muito mais qualidade de vida.
Afinal, mais importante que viver muito é viver bem e feliz.

 

Alexandre Maulaz Barcelos é médico e coordenador científico do Hospital Evangélico de Vila Velha

 

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected]

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