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Erros de arbitragem, ética e hipocrisia

por: José Caldas da Costa Mato saudades de meus tempos de cronista esportivo para entrar no esquentado clima de debates sobre os erros de arbitragem ...

Última atualização

por: José Caldas da Costa

Mato saudades de meus tempos de cronista esportivo para entrar no esquentado clima de debates sobre os erros de arbitragem no Campeonato Brasileiro. Afinal, os árbitros erram porque querem ou porque são, tecnicamente, fracos? Qual a real necessidade de se utilizar outros recursos além da limitada visão dos “referees”?
E quero ir direto ao assunto, para analisar dois lances. Primeiro, o pênalti desmarcado pelo árbitro Leandro Vuaden, que valeu ao Flamengo a vaga nas semifinais da Copa do Brasil. Segundo, o gol de Jô, do Corinthians, anulado, quando a partida contra o mesmo Flamengo ainda estava com o placar em branco.
Começo pelo segundo caso, o do gol do Jô. Antes, uma reflexão: estariam os árbitros mal intencionados e tendenciosos em favor de times A ou B? Parto do princípio de que todos são inocentes até prova em contrário. Portanto, não importa se o erro beneficia Flamengo, Corinthians, Vasco, Fluminense ou ASA de Arapiraca. Em princípio, é um erro humano.
No caso do gol do Jô, flamenguista que sou, tive que suportar, em menos de 1 minuto após o lance, uma mensagem de um amigo vascaíno perguntando se eu não me sentia envergonhado de ter o Corinthians um gol legítimo anulado. E, depois, vieram outras gozações, como ocorreu em série após o lance contra o Santos.
Vi e revi o lance do Jô várias vezes e não tenho dúvidas: a arbitragem errou. E foi um erro tão gritante que, considerando a experiência dos personagens envolvidos, somente me resta uma conclusão, após muito observar: a trombada do árbitro Ricardo Marques Ribeiro com um jogador corinthiano próximo à meia lua desviou a atenção do auxiliar Pablo Costa, que não conseguiu acompanhar a jogada e acabou errando ao sinalizar o que viu (Jô à frente da linha da bola naquela fração de segundos), sem perceber o que não viu (Jô atrás da linha da bola quando Maycon, também em posição legal, cruzou para a finalização).
E, agora, vamos ao outro lance: o suposto pênalti cometido por Réver sobre Bruno Henrique, no decisivo jogo da Copa do Brasil, na Vila Belmiro. Este, eu não tenho dúvidas em afirmar, após rever o lance por diversos ângulos pela televisão: não houve pênalti. Réver toca na bola para o escanteio e Bruno se atira.
Incidentes da natureza dos dois lances em dois jogos envolvendo o Flamengo seriam, perfeitamente, evitados, se não imperasse no futebol uma hipocrisia sem tamanho. Por que não utilizar recursos eletrônicos para auxiliar a arbitragem? O ser humano por trás daquele apito ou daquela bandeira (dos auxiliares) fica, completamente, exposto diante da parafernália tecnológica das emissoras de televisão.
O Corinthians foi prejudicado? Foi. O árbitro interferiu no resultado do jogo? Sei lá. É muito simplório dizer que o Corinthians faria 2 a 0, porque, com a validação do lance, a jogada do segundo gol não teria existido – se é que me entendem.
O Santos foi prejudicado com o pênalti desmarcado? Não. Alegam até influência de um repórter para a decisão da arbitragem, numa hipocrisia social sem limites. Ou seja, discute-se a chamada influência externa, mas não se discute a ética da jogada.
No gol de Jô, beneficiou-se o Flamengo. No lance do Bruno Henrique, beneficiou-se a verdade. E isso basta.

José Caldas da Costa é jornalista

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

 

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