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Guerra verde e amarela no trânsito

por: Martha E. Ferreira "As estatísticas demonstram a urgência da adoção de medidas educacionais, com o intuito de reverter essa insegurança ...

Última atualização

 

por:  Martha E. Ferreira

“As estatísticas demonstram a urgência da adoção de medidas educacionais, com o intuito de reverter essa insegurança aterrorizante nas estradas”

 

A imprudência é a principal causa dos acidentes de trânsito, no Brasil.
De acordo com as estatísticas do seguro DPVAT – Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, em 2015 foram pagas 652.350 indenizações por acidentes no trânsito, sendo 42.500 por morte, 515.750 por invalidez e 94.100 por despesas com assistência médica.
O volume de mortes por acidentes de carro, no Brasil, é maior do que por homicídio e câncer, e a soma deles supera todas as mortes por conflitos armados e terrorismo, do planeta.
Ao analisar as causas dos acidentes, foi possível constatar que 90% acontecem por falhas humanas, 6% por más condições nas vias e 4% por falhas mecânicas; a grande maioria das vítimas tem entre 18 e 34 anos (a faixa economicamente mais produtiva e ativa da nossa sociedade); e que, a cada 10 acidentes, 07 envolvem motociclistas.
Outra causa registrada foi alteração do estado mental e físico do condutor que se envolve em acidentes fatais: a maioria fez uso de álcool ou drogas; e estava com sono ou sob estresse.
Além do prejuízo emocional, que muitas vezes desmantela uma família, cada acidente traz, também, um prejuízo econômico difícil de quantificar. São custos com socorro, combustível, seguro, leito de hospital, medicamentos, afastamento de trabalho, indenizações, custo com Previdência, entre outros.
O Observatório Nacional de Segurança Viária, que é uma ONG de segurança no trânsito, chegou à conclusão de que, se somássemos todos os custos gerados pelos acidentes, no Brasil, o resultado alcançaria o incrível montante de R$ 56 bilhões, por ano!
Essa montanha de mortos nas estradas brasileiras (que impacta a vida das famílias e dos amigos) e o estratosférico custo anual (que é pago por todos nós) resultam, diretamente, da negligência, imprudência e imperícia dos motoristas; não obediência aos padrões de transporte seguros, por parte dos donos das empresas transportadoras; falta de manutenção dos veículos; rodovias inacabadas, em reforma ou em péssimo estado de conservação; das autoridades (Executivo, Legislativo, Judiciário, Policiais e Fiscalização), que se mostram indiferentes à situação de caos ou que são insuficientes para fiscalizar e punir; da corrupção pandêmica, que se alastrou entre todos os setores envolvidos; e da sociedade, que não se manifesta contra esses crimes, irregularidades e mazelas.
O País inteiro precisa se mobilizar no sentido de exigir ações eficazes para prevenir e evitar esse massacre. Em primeiro lugar, campanhas educativas permanentes; o constante treinamento, recursos financeiros (inclusive para proporcionar melhores salários e condições de trabalho), materiais, equipamentos, tecnologia e respeito aos profissionais de todas as áreas envolvidas; e o avanço de ações integradas e estratégicas que diminuam a dependência do carro, com investimentos públicos e privados para criar cidades inteligentes.
Em seguida, o cumprimento irrestrito às leis.Urge punir os motoristas infratores de forma cada vez mais exemplar e dura, inclusive com prisão sumária para aqueles que matam ao volante. Algumas alterações na legislação aumentaram o rigor das punições e proporcionaram melhores resultados à fiscalização. Mas, ainda não foi suficiente.
E por fim, a mais importante, que é a inserção da Educação no Trânsito nas escolas, como uma disciplina regular e obrigatória, desde a pré-escola.As estatísticas demonstram a urgência da adoção de medidas educacionais, com o intuito de reverter essa insegurança aterrorizante nas estradas, tornando-se imprescindível a inclusão do trânsito às áreas curriculares.
Um trabalho conjunto e permanente, para prevenir e evitar acidentes no trânsito possibilitará mudanças de atitudes que contribuirão para garantir a segurança de todos, no espaço público, principalmente das crianças, porque entre as vítimas fatais dessa guerra diária, nas estradas, temos encontrado mais de seis mil delas, todos os anos.
Que os brasileiros compreendam que somente com amor à vida, bom senso, educação, respeito ao outro, cumprimento das leis e punição nós seremos capazes de por um fim a essa nossa estúpida guerra verde e amarela.

Martha E. Ferreira é economista

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

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