por: Martina Zanoti
“Homens brasileiros têm mais infecção por HPV do que os mexicanos e os americanos”
O câncer de pênis representa 2,1 % dos tumores malignos dos homens no Brasil, com prevalência maior em homens na faixa etária a partir de 50 anos de idade. É uma doença mais frequente em países em desenvolvimento.
O tipo histológico mais frequente (95% dos casos) é o carcinoma de células escamosas. A prevenção se dá por meio de cuidados com a higiene, mediante o uso de preservativos e, sobretudo, pela vacinação contra HPV.
O HPV, ou Papiloma Vírus, está relacionado não apenas ao câncer de colo de útero, mas também a outros tipos de câncer, como o de pênis. A infecção pelo vírus HPV, segundo estudos epidemiológicos, está relacionada ao vírus HPV do tipo 16 e 18.
O Ministério da Saúde oferta nos postos públicos a vacina contra o vírus para atender meninos na faixa dos 12 e 13 anos. Mas acima dessa idade, existe uma infinidade de homens sem a cobertura da vacina.
A vacina deve ser dada em 2 doses, com intervalo de 6 meses entre cada uma delas. A vacina é bastante eficaz contra o HPV, e contém os dois subtipos (16 e 18), os que mais causam câncer.
É distribuída gratuitamente pelo SUS para garotas de 9 a 14 anos e para garotos de 12 e 13 anos. E deve ser dada em 2 doses, com intervalo de 6 meses entre cada uma delas. Nas clínicas privadas são administradas 3 doses.
Para estarem protegidos do vírus, que pode resultar em câncer de pênis, devem ser administradas duas doses da vacina. O grande problema que está acontecendo no Brasil é que os pais levam seus filhos adolescentes para a primeira dose da vacina e não os levam para a segunda.
Resultado: os jovens ficam desprotegidos e com a possibilidade de pegar o HPV. Para se ter uma ideia, mais da metade (52%) de todos os municípios brasileiros estão com uma baixa cobertura da segunda dose do HPV.
Esse descaso também se dá nas clínicas particulares, em que os homens que fazem a primeira dose esquecem de retornar para a cobertura total contra o vírus.
O HPV é um vírus transmitido pelo contato sexual. Um estudo realizado com homens de 18 a 70 anos de idade revelou que os homens brasileiros têm mais infecção por HPV do que os mexicanos e os norte-americanos.
A falta de informação e divulgação é um dos fatores que dificulta a ação de prevenção. É necessário campanhas de esclarecimento quanto aos hábitos de higiene, ao uso do preservativo em relações sexuais e acerca da necessidade de vacinação.
O tratamento do câncer de pênis é determinado pelo agravamento e extensão da doença. A cirurgia constitui o tratamento mais utilizado, principalmente para o controle local, sendo, muitas vezes, necessária a amputação parcial ou total do órgão e retirada dos gânglios inguinais, o que gera um enorme trauma para os homens. Por ano, cerca de mil homens no Brasil perdem o pênis.
A quimioterapia geralmente é indicada em casos de doença avançada ou metastática. Em alguns casos, a radioterapia pode ser considerada. Sobre o diagnóstico, quanto mais precoce melhor. O exame físico e a biópsia da lesão suspeita são elementos fundamentais no diagnóstico.
A amputação do pênis, que causa pânico nos homens, não é a pior consequência do câncer. Segundo dados levantados pelo especialista, 5.621 homens já morreram em decorrência da doença entre 1985 e 2015.
Martina Zanoti é médica infectologista
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