
O bom exemplo no tratamento do lixo vem do outro lado do mundo, no Japão, que vem se destacando por transformar lixo, em energia. A cidade considerada “lixo quase zero” ficou conhecida no Japão em 2015, quando um documentário sobre reciclagem foi divulgado na internet.
O vídeo chamou a atenção para um assunto importante que preocupa ambientalistas do mundo todo. Turistas e estudantes estrangeiros começaram a visitar Kamikatsu, a fim de entender melhor o conceito de reciclagem adotado pelos moradores da cidade.
As ruas da cidade se diferenciam por serem absolutamente limpas. A preocupação da população vai além da reciclagem. O cuidado é não produzir muito lixo, minimizando ao máximo os resíduos pela cidade. Em casa, a população já separa o que é orgânico do que é reciclável e o caminhão de coleta é separado por tipo de resíduo, dando a cada um deles um tratamento diferente.
O vídeo documentário, intitulado “Como esta cidade não produz lixo”, explica como os dois mil moradores da cidade, classificam e reciclam seus resíduos em 45 categorias designadas, retirando as etiquetas e removendo as tampas de garrafa.
Existe também um sistema de compostagem para resíduos orgânicos que cumprem um papel fundamental na transformação de lixo orgânico em matéria utilizável na agricultura. Em outras palavras, as usinas de compostagem de lixo processam a matéria orgânica que resultam em húmus de altíssima qualidade usado como adubo no desenvolvimento das plantas. Este adubo, chega a ser 400% mais barato que o adubo químico.
A cidade anunciou em 2003 que, até 2020, deixará de gerar resíduos, como seu objetivo “zero desperdício”. Atualmente, recicla ou reutiliza quase 80% de seus resíduos não-orgânicos. Na estação de resíduos de Hibigaya, o único local de coleta de resíduos da Kamikatsu, há dezenas de cestas para coleta de latas de aço, latas de alumínio, garrafas de vidro marrom, tampas plásticas e pacotes de papel entre outros itens de lixo.
A estação também abriga uma loja onde os moradores da cidade podem deixar objetos que eles não usam mais e levar para casa o que quiserem de graça.
Na usina, os resíduos são queimados por cerca de uma hora, à temperatura de 1.800 graus centígrados. De um lado, forma-se um gás, que por uma tubulação alimenta uma turbina geradora de energia. De lá, sai eletricidade para atender o equivalente a 10 mil casas. De outro, o que sobra da tal queima, resíduos e metais, que são reaproveitados em sua quase totalidade como, por exemplo, para asfaltar ruas.
Por lá, o lixo é problema de cada cidadão. Exemplo para nós, já que o Brasil produz lixo como primeiro mundo, mas fazemos descarte como nações pobres, com 82% dos municípios ainda sem coleta seletiva, segundo análise feita pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
A importância ambiental é a de maior impacto, já que a reutilização dos materiais inorgânicos, que representam 40% do lixo doméstico, acarreta em uma menor utilização de aterros sanitários e lixões, além de proporcionar uma redução significativa na poluição do meio ambiente.
Fabio Junger é diretor de empresa de obras e serviços urbanos