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Jovem no Brasil nunca é levado a sério

Sabe aquela parte da música da banda Charlie Brown Jr, que canta “Jovem no Brasil não é levado a sério”? Esse trecho da canção traduz e denuncia o ...

Última atualização

Sabe aquela parte da música da banda Charlie Brown Jr, que canta “Jovem no Brasil não é levado a sério”? Esse trecho da canção traduz e denuncia o paradoxo vivenciado pelos jovens no Brasil.

Nunca as características e valores ligados à juventude como, energia e a estética corporal, ou mesmo a busca de algo novo, foram tão louvados, num processo que poderíamos chamar de “juvenilização” da sociedade.

Mas, ao mesmo tempo, a juventude brasileira não é encarada como um sujeito de direitos, não sendo foco de políticas públicas que garantam acesso a educação com qualidade e oportunidades de trabalho.

Além disso, não levam o jovem como um interlocutor capaz de emitir opiniões e interferir nas propostas que lhe dizem respeito, desestimulando a participação da juventude e o seu protagonismo.

Outro fenômeno comum: a criação de imagens e preconceitos sobre a juventude contemporânea, principalmente pelas mídias, que interferem na nossa maneira de compreender os jovens.

Uma das mais arraigadas é a juventude vista na sua condição de transitoriedade, onde o jovem é um “vir a ser”, tendo, no futuro, na passagem para a vida adulta, o sentido de suas ações do presente.

Sob essa ótica, existe uma tendência de encarar a juventude na sua negatividade, como o que ainda não se chegou a ser negado o presente vivido.

Essa concepção está presente na escola, em nome do “vir a ser” do aluno, traduzido no diploma e nos possíveis projetos de futuro, tende a negar o presente vivido dos jovens como espaço válido de formação, bem como as questões existenciais que eles expõem as quais são bem mais amplas do que apenas o futuro.

Quando imbuímos por esta concepção, os projetos educativos perdem a oportunidade de dialogarem com as demandas e necessidades reais do jovem, distanciando-se dos seus interesses reais do presente, diminuindo as possibilidades de um envolvimento efetivo nas suas propostas educativas.

É preciso parar de encarar a juventude como um problema social, temos que entender que a juventude quando é escutada, se torna solução, e essa falta de diálogo que existe entre o poder público, instituições e os jovens, impedem de criar meios que possam dar ao jovem o empoderamento que lhe é de direito.

E esse processo assegura aos jovens o direito a voz nas decisões que afetam suas vidas. Esse processo cria oportunidades voluntárias para que os jovens sejam parte das mudanças e decisões tomadas em suas comunidades.
Sempre ouvi dizer que o Brasil é o País do futuro, mas… o que falta para esse futuro chegar que até hoje continuamos apenas na promessa?

Não adianta alimentarmos nossos sonhos com apostas vãs que ludibriam e inebriam a engrenagem de todo o sistema. Não querendo usar um tom messiânico, mas a Bíblia já dizia que com os anciãos está a sabedoria, porém com os jovens está a força.

Enquanto isso, movimentos ditos “suprapartidário” lançam suas marionetes jovens para mobilizar a identificação de massas joviais.

O jovem não deve ser aquele que se orgulha em não ter partido e opinar sobre política, ao contrário, deve ser um ativo e legítimo representante de sua ideologia partidária como válvula motriz do meio em que vive.

 

Vitor Otoni é diretor da Secretaria Nacional de Juventude do governo federal

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