Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) completa 65 anos de trajetória edificante na educação superior pública brasileira e se constitui em marca de valor para o Estado e o País desde a sua criação, em 5 de maio de 1954.
Nascida para impulsionar e qualificar regionalmente o ensino superior, a Ufes se consolidou como instituição estratégica em diferentes áreas do conhecimento. Solidamente estabelecida em quatro campi universitários – são dois na capital e dois no interior –, hoje oferece 103 cursos de graduação presencial e 10 na modalidade a distância, totalizando 21 mil estudantes, além de 62 cursos de mestrado e 31 de doutorado, com 3.500 estudantes.
Para oferecer educação de qualidade, a Ufes conta com 1.765 professores e 2.069 técnicos-administrativos. Sua atuação multicampi possibilita abrangência regional e desempenho acadêmico reconhecido nacionalmente e internacionalmente.
Sua marca de valor está presente na história contemporânea do Espírito Santo como lugar de excelência na formação de recursos humanos para o mundo do trabalho; no desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação; e na aplicação de projetos e ações educativas e sociais em todos os municípios capixabas.
Entretanto, mesmo com toda a contribuição que as universidades federais, incluindo a Ufes, oferecem ao desenvolvimento nacional e ao conjunto da sociedade brasileira, as instituições públicas de ensino superior passam por acentuados cortes em seus orçamentos, comprometendo a manutenção e a capacidade de investimento.
Esse movimento autoritário e dissociado dos interesses da sociedade compromete de forma avassaladora as atividades acadêmicas, a qualidade do ensino oferecida e o desenvolvimento científico e tecnológico possibilitado.
Os cortes orçamentários anunciados, e sem qualquer consulta à sociedade, materializam intenções explícitas de natureza política que buscam destruir as instituições federais de ensino superior, mesmo que elas se constituam em patrimônio do povo brasileiro.
A sociedade, entretanto, está reagindo, cada vez com mais firmeza, às tentativas de desmonte da educação superior pública.
Mesmo com a sua edificante história de 65 anos, ao longo dos quais oferece formação acadêmica de qualidade para dezenas de gerações, sobretudo para os capixabas, a capacidade orçamentária da Ufes poderá ficar totalmente inviabilizada.
Mesmo com mais cursos de graduação e de pós-graduação, com mais vagas, mais inclusão social, mais produção cultural, mais assistência, mais ciência e tecnologia, a Ufes encontra-se com orçamentos completamente defasados, se comparados com as suas necessidades financeiras.
No ritmo que segue o governo federal, a situação poderá levar à falência da educação superior pública no Brasil. E isto é muito grave para um País que, entre tantas necessidades, precisa fundamentalmente de educação de qualidade.
As comemorações dos 65 anos da Ufes simbolizam o vigor e o amadurecimento de uma instituição que pertence ao povo brasileiro, e em especial aos capixabas, e traduzem a necessidade de buscarmos fortalecer o ensino superior público como direito de todos e dever do Estado, como está consagrado na Constituição brasileira. Porque a Ufes não tem preço. Tem valor.
Reinaldo Centoducatte é reitor da Ufes