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Você sabe quando e como utilizar um pronto-socorro?

Não é de hoje que assistimos pela televisão, internet ou até mesmo vivenciamos de alguma maneira a superlotação das unidades de urgência e ...

Leonardo Lessa

Última atualização

Leonardo Lessa (Foto: Divulgação)Não é de hoje que assistimos pela televisão, internet ou até mesmo vivenciamos de alguma maneira a superlotação das unidades de urgência e emergência, comumente conhecidas como pronto-socorro.

Tanto na rede privada quanto na pública, esses locais são reconhecidos pelo número elevado de pessoas e pela consequente demora no atendimento. No entanto, se você fosse perguntado sobre quais casos deveriam ser levados a essa unidade, você saberia responder?

No dicionário as palavras urgência e emergência se confundem. Entretanto, no campo da medicina, as diferenças não são tão sutis assim e devem ser levadas em consideração de uma maneira bem simples: uma mata e a outra pode esperar. Então, quando um paciente chega em uma dessas unidades para ser atendido, deve ter esses conceitos em mente e alguns outros parâmetros para não se frustrar e ter a consciência de que pode ficar esperando por muito tempo.

Pois bem, existem regras para o atendimento acontecer em um Pronto-Socorro. E se essas fossem mais conhecidas e divulgadas à população, talvez o tempo de espera e a superlotação diminuíssem consideravelmente. Na teoria, uma Unidade de Emergência deveria receber pacientes em situações graves, com risco eminente de morte e que necessitem de recursos técnicos e humanos especializados.

Mas na prática a população recorre à unidade porque não consegue o atendimento básico adequado em seu bairro. Nosso sistema de saúde, o SUS, prevê que todos os cidadãos têm direito à saúde e que a responsabilidade pela sua manutenção é do estado.

Mesmo com os avanços desse sistema ao longo dos anos, a assistência básica continua sendo um problema considerável. Talvez porque dar conta de uma massa de mais de 100 milhões de usuários não é uma tarefa fácil. E os “postinhos de bairro” não dão conta de uma demanda tão grande. Por isso, muitas pessoas procuram o serviço de urgência e emergência na tentativa de conseguir atendimento. Ou simplesmente procuram o pronto-socorro por desconhecerem as regras de utilização.

No Brasil, essas regras para o sistema de atendimento foram implementadas a partir de 2004, quando o Ministério da Saúde lançou uma cartilha sobre a Política Nacional de Humanização. Nela foi definido que o acolhimento dos pacientes seria conduzido de acordo com uma avaliação e classificação de risco. A cartilha foi baseada a partir do Protocolo de Manchester, onde normas e procedimentos, criados por profissionais de triagem, tem como objetivo definir a situação de cada paciente rapidamente, por meio de um sistema de cores e pulseiras de identificação, a fim de evitar o caos no atendimento.

A classificação é dividida em cinco categorias: emergente (vermelho), muito urgente (laranja), urgente (amarelo), pouco urgente (verde) e não urgente (azul). Para cada cor existe um tempo, um alvo de atendimento, que são dispostas da seguinte maneira: 0, 10, 60, 120 e 240 minutos. Ou seja, dependendo da classificação do problema, um paciente pode levar até quatro horas para ser atendido. Então, se for usar esse tipo de serviço, leve em consideração todas essas informações para que você não perca seu tempo nem se aborreça numa longa fila de espera.

Leonardo Lessa é cirurgião vascular e presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames).

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