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Aglomerações de fim de ano: aumento de casos de Covid na primeira quinzena de janeiro

Embora o governo tenha feito pedidos para que as pessoas não se aglomerassem em festas na virada do ano, as cenas que foram observadas ao longo do ...

Aglomerações de fim de ano: aumento de casos de Covid na primeira quinzena de janeiro
- A Praia do Morro ficou lotada com banhistas e barracas

Última atualização

A Praia do Morro ficou lotada com banhistas e barracas (Foto: Roberta Bouguignon - 30/12/2020)

Embora o governo tenha feito pedidos para que as pessoas não se aglomerassem em festas na virada do ano, as cenas que foram observadas ao longo do feriadão foram de desrespeito a esses apelos com multidões de pessoas em praias, inclusive em cidades classificadas pelo mapa de risco como alto risco para transmissão do novo coronavírus. 

Para o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, o reflexo dessas aglomerações de fim de ano devem ser vistos no aumento do número de novos casos de Covid-19 ao longo da primeira quinzena de janeiro. 

“Temos uma expectativa de que as internações hospitalares devam subir nas próximas semanas em virtude das interações de final de ano”, disse Fernandes. 

De acordo com o secretário, esse cenário que se desenha deve consolidar uma tendência de aumento de internações e de mortes por conta da doença. 

“Há uma possibilidade de estabilização e da construção de um platô ao longo deste mês, mas trabalhamos com a perspectiva de que essa estabilização possa ser interrompida com o novo momento de aceleração de número de casos internados e óbitos em virtude, primeiro, pela recomposição da capacidade de testagem dos municípios com o início da novas gestões. E também temos a expectativa de que, com as interações de fim de ano, as internações hospitalares e óbitos possam ter um novo momento de aceleração no Estado”, analisou. 

O secretário destacou que as cenas vistas ao longo do fim do ano não foram adequadas ao momento vivido. “Temos visto festas noturnas nas praias, aglomerações desnecessárias que vão muito além do passeio na praia durante o dia. Temos percebido um consumo exagerado de bebidas alcóolicas e de atividades que não são adequadas para o momento”, frisou.

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, observou que a maioria das pessoas vistas nessas aglomerações são jovens e que, na maioria dos casos, não desenvolvem o quadro mais grave da doença. No entanto, acabam por transmitir o vírus para outras pessoas, inclusive aquelas dos grupos de risco. 

“Quando eles fazem a transmissão para grupos de comorbidades, que eles podem adoecer e vir até a óbito. Isso vai levar alguns dias. O reflexo dessas aglomerações vamos observar mais adiante”, contou Reblin. 

Já Fernandes reforçou que ao longo deste mês o governo vai trabalhar para aumentar a quantidade de leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o tratamento de pacientes com a Covid-19. Atualmente, cerca de 640 vagas estão disponíveis, mas o Estado tem potencial para ampliar oferta para 715, como na primeira fase da pandemia, entre maio e julho. 

O secretário informou que até fevereiro o Estado pretende chegar ao total de 900 leitos de UTI para pessoas infectadas pelo coronavírus. 

Reunião com secretários municipais

Nesta terça-feira (5), o governador Renato Casagrande vai se reunir virtualmente com os novos prefeitos de 14 cidades do Estado para discutir o combate ao coronavírus e apresentar a dinâmica da elaboração da matriz de risco. 

Neste primeiro momento, o encontro será com os gestores das cidades da Grande Vitória e de municípios localizados ao longo do litoral capixaba. 

No mesmo dia, o secretário da Saúde Nésio Fernandes também vai se reunir, de forma presencial, com as titulares da pasta da Saúde nas cidades de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Também é previsto um encontro com os gestores dos demais municípios. 

A reunião com os prefeitos e secretários municipais da Saúde é para acordar e pactuar medidas qualificadas  para evitar que “o mês de janeiro não represente o colapso da vida em família no Espírito Santo” por conta do crescimento do número de casos. 

“Temos uma obrigação de intensificar todas medidas de fiscalização. Nas últimas semanas temos percebido, temos participado com as forças de segurança do Estado”, afirmou Fernandes.

Redução da testagem

Além das cenas de aglomeração na virada do ano, outro ponto que deve resultar no aumento no número de casos de Covid-19 no Estado é a retomada da ampla testagem de pacientes com suspeita da doença. 

De acordo com o secretário da Saúde, Nésio Fernandes, a testagem em dezembro ficou prejudicada com a suspensão dos testes em pessoas que mantiveram contato com pacientes que testaram positivo para a Covid-19 e pela redução da coleta nos municípios. 

“Chegamos a receber 3.500 amostras por dia no Laboratório Central (Lacen). Estamos, hoje, com menos de 2 mil amostras por dia sendo recebidas pelo Lacen. Temos uma capacidade de testagem muito ampliada por conta do credenciamento de laboratórios privados que fazem a coleta do RT-PCR. Esse será um dos temas abordados com os secretários”, adiantou ele. 

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