O cenário de retorno às aulas presenciais no Estado caminha para ser desenhado com estudantes do ensino médio voltando primeiro e cada escola particular podendo definir o formato de rodízio de alunos. Na rede estadual, a ideia com mais força é a de revezamento a cada sete dias.
As informações são do secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo. A data de retorno das aulas, suspensas desde 17 de março, ainda é uma incógnita, mas a previsão do Palácio Anchieta é de uma definição nos próximos dias.
Há um grupo de trabalho formulando o conteúdo de uma portaria que vai nortear quais serão os protocolos sanitários dessa retomada e quais os critérios para eventual novo fechamento, baseado no mapa de gestão de risco de Covid-19.
Vitor de Angelo diz que a ideia mais cristalina é de um rodízio semanal na rede estadual. “Um grupo de aluno vai numa semana e, na seguinte, volta para a casa, estuda pela TV, enquanto a outra parte estuda presencialmente. Assim, dividimos a turma em duas partes, ampliamos a distância e a interação num ambiente fechado. Desse modo, existe uma linha que não se interrompe em termos de carga horária”, explicou.
A rede particular poderá escolher seu modelo de rodízio. “A Sedu não dita os procedimentos das escolas. É uma decisão de maneira pedagógica, da escola, ou da rede municipal. Se você entende que é melhor semanal ou quinzenal, ok”, disse o secretário.
“Talvez a escola particular tenha determinados recursos e uma realidade delas, que lhes permitam adotar determinadas alternativas que não são factíveis para a rede estadual. Operacionalizar as regras é uma decisão das escolas”.
O retorno deve começar com alunos do ensino médio, disse Vitor de Angelo. “É uma estratégia de controle do ensino. Começando pelas mais velhas primeiro, facilita a ajudar os mais novos. Como você vai pactuar uso de máscara? Quando temos adultos fazendo isso, amplia o número de pessoas de protagonismo juvenil, auxiliadores do próprio corpo docente”, explicou.
À espera da definição da data

Apesar de adaptados à rotina diária de aulas e exercícios pela internet, o dentista está na expectativa de uma definição sobre a volta às aulas presenciais.
Ele contou que ele e a mulher, Caroline Pedrini, de 27 anos, ainda avaliam se terão segurança para que os filhos voltem logo no início, já que a pandemia ainda não acabou.
“A gente sabe que a convivência com outras crianças e ter a professora presencialmente fazem falta para eles. Por isso, ainda é uma avaliação que vamos fazer”.
Proposta evita reprovações e prevê ano letivo até 2021
Na mesa do grupo de trabalho que define os rumos da retomada das aulas está a proposta de, em vez de encarar o cronograma de aula como um ano letivo tradicional, que determina aprovações e reprovações em dezembro, levar em conta um biênio 2020-2021 na rede estadual.

“Vale pensar que o Conselho Nacional de Educação (CNE) nos sugeriu fazer um contínuo entre o ano de 2020 e o de 2021. Suprimir a reprovação este ano, portanto, não seria aprovar ninguém à força. Até porque, a ideia de ano desaparece, porque estamos trabalhando com biênio. Caso fosse, o aluno reprovaria no final do biênio”, disse.
O CNE também deu indicativo para que as reprovações fossem evitadas este ano. Questionado sobre o prejuízo à assimilação dos conteúdos, Vitor de Angelo disse que “algumas competências curriculares que deveriam ser ministradas em 2020 podem ser trabalhadas no ano de 2021 – juntando, portanto, os anos de 2020 e 2021”.
Por isso, segundo ele, seria incoerente reprovar um aluno, já que ele ainda não aprendeu todos os conteúdos daquele ano por conta da pandemia.
“A ideia de reprovação foi suprimida. É uma orientação do CNE, não porque é permissivo, mas porque já traz graves prejuízos de aprendizagem. Reprovar o aluno pode ser uma forma de culpabilizá-lo”, disse.
“Nem todos têm acesso à internet, estrutura em casa. São várias realidades, todas adversas. Reprovação é preditor de abandono. Ano passado, dos reprovados no 3º ano, 75% não voltaram”, observou.
Rede particular pronta para retornar
As escolas particulares estão prontas para retornarem às aulas em agosto no Estado. É o que garante o presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino no Espírito Santo (Sinepe-ES), Moacir Lellis.
Ele é entusiasta de um rodízio da seguinte forma: parte dos alunos de uma sala frequenta a escolas às segundas, quartas e sextas, enquanto o outro grupo iria às terças e quintas.

Moacir Lellis ressaltou, porém, que as escolas terão autonomia para decidir seu tipo de rodízio, podendo ser dia sim e dia não, ou até em 15 dias.
“Nós elaboramos o nosso protocolo, que foi divulgado para as nossas escolas no dia 16 de junho”, disse ele, que aguarda um anúncio para o retorno das aulas no próximo mês.
O protocolo das escolas particulares, conta Lellis, prevê distância de, pelo menos, um metro de um aluno para outro, sentado na sala de aula, o que reduzirá substancialmente o número de alunos permitidos simultaneamente.
O presidente do Sinepe-ES diz que o protocolo apresentado a ele pela Secretaria da Saúde prevê um distanciamento de meio metro a mais, o que deixaria menos alunos juntos.
“Todos deverão usar máscara, medir temperatura na entrada e disponibilizar dispenser com álcool em gel”, completou Lellis.
A ideia de adotar um biênio 2020-2021, como sugeriu o Conselho Nacional de Educação, está descartada para escolas particulares, segundo ele.
“Nós estamos trabalhando todos os conteúdos nas aulas não presenciais desde o início. Então, como não houve ruptura de conteúdo, não tem motivo para estender o ano letivo”, argumentou. “Porém, não estamos considerando reprovar alunos nesse contexto”, contemporizou.