
Foram 614 mortes em casa no Estado em todo 2019. Até agora, somente neste ano, já foram 724.
A análise vai de 26 de fevereiro, data de registro do primeiro caso de coronavírus no Brasil, até 26 de abril (um total de 61 dias) – foram desconsiderados os últimos 10 dias porque é o prazo que os cartórios levam para repassar informações para a Central de Informações do Registro Civil.
A piora repentina de quadros da Covid-19 pode ter relação com esse crescimento, explica a doutora e pós-doutora em Epidemiologia, Ethel Maciel. “A evolução do quadro clínico da Covid-19 é muito rápida. Acontecem pioras repentinas: a pessoa está em casa, bem, e depois evolui para um agravamento”.
A dificuldade de atendimento no sistema de saúde também pode estar influenciando esse cenário.
“O paciente vai à unidade de saúde, mandam voltar para casa e, nessa espera, o quadro pode se agravar. A percepção de risco varia de pessoa para pessoa. Quem tem comorbidades corre mais riscos. Há falta de diagnóstico também, não existe teste para todos e há um protocolo de grupos testados. Se não está nesse grupo, acaba não sendo testado e apresenta um quadro de preocupação sem saber que é Covid-19”.
Ethel disse que “cresce um alerta na saúde pública, em que pacientes ou esperam chegar à gravidade para o socorro ou não conseguem acesso ao serviço. Precisam melhorar a atenção primária”.
O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, completa: “O paciente com Covid-19 vai perdendo oxigenação do sangue, mas sem sentir a falta de ar esperada. E há comprometimento da circulação por causa de microcoágulos causados pelo vírus. Tudo isso pode levar a morte repentina”.
Sem hospital de campanha
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, disse que “um hospital de campanha tem muitas fragilidades” e que, no momento, “não é necessário para o Estado”.
As falas foram ditas numa transmissão ao vivo na internet. “Hospitais de campanha são para leitos de enfermaria, de baixa e média complexidade. E não temos dificuldade para isso no Estado”.
Nésio reafirma que “hospitais de campanha em outros estados estão com dificuldades para contratar pessoal e comprar equipamentos, insumos e habilitar leitos”.
A estratégia do governo é comprar leitos em hospitais particulares para ampliar a capacidade. E disse que essa estratégia é melhor do que “leitos improvisados” e do que construir um hospital “do dia para noite”, sem amadurecimento logístico e administrativo.
FIQUE ATENTO
Prevenção
> Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar desinfetante para as mãos à base de álcool.
> Evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca sem lavar as mãos.


