
Nesta semana, o pequeno, que desde que nasceu está internado no Hospital Jayme Santos Neves, Serra, cumpriu o período de quarentena, de 14 dias.
Mesmo livre da Covid-19, ele permanece internado e não tem previsão de alta, pois dará sequência ao tratamento que teve que ser suspenso enquanto estava com coronavírus.
Ele nasceu no dia 5 de novembro. Foi um parto prematuro, com 29 semanas de gestação. Desde então, o bebê precisou ser mantido internado porque apresentou broncodisplasia, uma doença que apresenta alterações na função respiratória. Ele está na Unidade de Médio Risco Neonatal (Ucin).
O caso foi divulgado com exclusividade em A Tribuna no último dia 11, após a reportagem conversar com o pai do bebê, um vigilante, que de 46 anos.
Em uma entrevista bem diferente da primeira (por conta do diagnóstico do bebê), o vigilante, que está desempregado, conversou novamente com a reportagem ao lado da mulher, uma professora, de 37 anos. O casal descreve o pequeno como um guerreiro. A mãe fez questão de destacar: “Essa foi mais uma batalha vencida graças ao nosso maravilhoso Deus”. Eles preferem não se identificar.
A Tribuna – Quando vocês receberam a notícia que o pequeno estava livre da Covid-19?
Pai do bebê – Quando ele saiu do isolamento, na última quarta-feira. Eles nos chamaram para ir ao hospital e conversaram com a mãe. Foi lá que disseram que ele estava curado.
Foi a melhor notícia da sua vida?
Sem dúvida porque as pessoas não têm muito conhecimento sobre essa doença, então fica muito difícil. Não dá para precisar quem vai morrer e quem vai ter uma segunda chance, quem está com a imunidade boa e quem não está. E por ser um bebê, estávamos muito preocupado.
Apesar de estar curado, ele vai continuar internado?
Sim. Ele voltou agora para o tratamento da broncodisplasia (doença respiratória), pois teve de ser suspenso por conta do vírus. Agora vamos esperar a evolução.
Quais sintomas ele apresentou do coronavírus?
Começou com coriza e febre e a partir daí foi para o isolamento. Teve secreção. Foi feito o exame em uma segunda-feira e a confirmação veio três dias depois.
Vocês ficaram 14 dias sem se aproximar dele? Como foram esses dias?
Ficamos. Foi complicado ficar 14 dias longe, mas necessário, pois ele estava em isolamento. Sentimos muitas saudades do nosso pequeno e ficamos unidos em oração.
E agora, vocês já podem pegá-lo no colo?
Sim. Já fomos ao hospital, demos mamadeira. Eu e minha mulher nos revezamos para ficar com ele na Ucin.
Descreve como foi esse reencontro?
(Risos). Um misto de alívio, de saudades, de gratidão, felicidade em vê-lo pedindo colo.
Pedindo colo?
Ele pede colo o tempo todo. Fica com os bracinhos estendidos, ama o colinho do papai e da mamãe.
Os homens costumam ser mais fortes, mas as lágrimas rolaram quando reencontrou com o seu bebê?
Foi uma mistura de emoções. É muito prazeroso estar com ele.
Ainda não há uma data para ele receber alta?
Ainda não. Estamos esperando com bastante ansiedade, mas temos de viver um dia de cada vez, vencer cada etapa. O pulmão dele está em formação e o organismo dele vai ditar quando ele estará livre para ir para o seu quartinho, em casa.
Como são os cuidados com ele no dia a dia?
A equipe do Jayme é maravilhosa. Eles cuidam com todo carinho. Com o tempo pude perceber que esses profissionais têm uma coisa a mais que a profissão, um sentimento a mais, que é o amor. Eles brincam com as crianças, conversam, na ausência dos pais dão colinho, tudo o que a gente pergunta, é respondido.
Eles lutam pelos nossos filhos, fazem o melhor para as crianças internadas. A nossa palavra é gratidão a todos.
Disse que o pequeno é um guerreiro. Para vocês foi um milagre a sua recuperação?
Na verdade, ele é guerreiro desde que nasceu. Ele tem passado tantas coisas nesses cinco meses de vida. Foi só mais um exemplo de superação, de força, e muita oração.
A corrente de oração veio de todos os lados: da igreja, da família, amigos daqui do Estado, do Brasil todo e até do exterior. Temos muito a agradecer.