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Coronavírus | Remédio em teste acaba nas farmácias

Um estudo feito na França mostrou que o medicamento hidroxicloroquina, que serve para o tratamento de doenças como lúpus e malária, mostrou ...

Enrique Rocha: pacientes que precisam do remédio são prejudicados.

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Enrique Rocha: pacientes que precisam do remédio são prejudicados. (Foto: Dayana Souza/AT)

Um estudo feito na França mostrou que o medicamento hidroxicloroquina, que serve para o tratamento de doenças como lúpus e malária, mostrou resultados promissores e pode ter efeito positivo contra o novo coronavírus.

Bastou a informação ser divulgada, porém, para que as pessoas dessem início a uma corrida às farmácias para comprar e estocar o medicamento. No Espírito Santo, o remédio não é mais encontrado e as distribuidoras que abastecem o Estado não têm previsão para a chegada de novas remessas.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Espírito Santo, Edson Daniel Marchiori, o Estado tem três distribuidoras, e em nenhuma delas há mais a hidroxicloroquina.

“Estão comprando antes de ficarem doentes. Isso não é certo. A situação está ruim. As pessoas estão apavoradas”, relatou.

A procura sem necessidade está prejudicando as pessoas que realmente precisam do medicamento. A hidroxicloroquina é o principal tratamento contra doenças reumatológicas sérias, doenças autoimunes, entre outras.

Luiz Carlos Cavalcanti, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo, explicou que o remédio não vai curar as pessoas do coronavírus e faz um alerta de que o estudo é inconclusivo. Por isso, não dá para afirmar que o remédio é eficaz.

A infectologista Rúbia Miossi disse que não há necessidade de corrida às farmácias porque o estudo apresentado não prova a eficácia do medicamento. “Não tem como dizer que é eficaz. Teve apenas um estudo que mostrou resultados promissores. Não há nada comprovado. Precisa de mais estudos”.

O farmacêutico Enrique Rocha reforça que o remédio deve ser comprado apenas com prescrição médica. “Peço um pouco de empatia, pensar em quem faz o uso desse medicamento, pois essa pessoa pode estar sem o tratamento adequado”, observou.

Ele ainda alerta sobre os efeitos colaterais da hidroxicloroquina. Entre eles estão a perda de visão e audição.

Para impedir a escassez, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nessa sexta-feira (20) que a hidroxicloroquina e a cloroquina são remédios controlados e a venda só será permitida mediante a apresentação de receita médica branca especial em duas vias.

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