
A medida é para evitar que haja contaminação de mais funcionários em alto-mar. No entanto, um dos trabalhadores hospedados nesse hotel de “transição” disse que de quarta-feira (8) para esta quinta (9), 10 colegas de trabalho começaram a sentir os sintomas de coronavírus e agora todo o grupo está orientado a não sair dos quartos do hotel.
O padrinho de um dos petroleiros entrou em contato com a reportagem do Tribuna Online e relatou a angústia do afilhado. Ele mora no Rio de Janeiro e contou que o grupo está no hotel desde o domingo dia 29 de março.
“Meu afilhado mora no Espírito Santo, saiu de casa no dia 29 e foi direto para o hotel. A orientação era ficar por 14 dias no hotel antes de embarcar, para garantir que ninguém vá para a plataforma com coronavírus. Só que, ontem (8), 11º dia, 10 pessoas do grupo apareceram com sintomas da doença. A ordem da empresa é isolamento total. Nem banho de sol é possível”, relatou.
Segundo ele, o seu afilhado tem conversado com a família apenas por mensagem no celular.
“Ele está bem, sem sintomas. Mas a preocupação é que, até então, eles estavam juntos e ontem uns começaram a passar mal. Agora a empresa mandou todo mundo ficar nos seus quartos e enviou um comunicado para o grupo dizendo que ‘em extrema necessidade de sair do quarto (crise de ansiedade ou pânico)’ eles devem comunicar e que ‘as testagens serão rotineiras a partir de agora’”, disse.
Uma das dúvidas é se o grupo que está sem sintomas será liberado para embarcar no domingo, quando completariam os 14 dias. A plataforma em que o grupo atua fica no Campo de Cachalote, na região petrolífera conhecida como Parque da Baleia, cerca de 80 quilômetros da costa de Anchieta, Sul do Espírito Santo.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, contou que o governo foi informado há dois dias sobre a contaminação dos 53 petroleiros. “Eles estão com quadro leve da doença e chegaram todos de máscara, seguindo as regras já estabelecidas. Nesse caso, o isolamento em hotel é uma boa medida”.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou à reportagem de A Tribuna que instaurou procedimento investigatório para apurar as circunstâncias que envolveram a contaminação de trabalhadores na plataforma petrolífera operada pela empresa SBM Offshore.
Em nota, o MPT disse que vai “adotar, no âmbito de suas atribuições, as medidas preventivas e reparatórias cabíveis”.
O outro lado
Procurada pela reportagem, a SBM Offshore, afretada da Petrobras, enviou a mesma nota encaminhada anteriormente, em que afirma que confirmou o teste positivo para Covid-19 de “número significativo de tripulantes a bordo de navio no Brasil”.
Também declarou que não vai informar a identidade das pessoas nem da embarcação onde trabalham “para garantir a privacidade dos indivíduos” e que os tripulantes “estão recebendo atenção médica e sendo monitorados de perto”.
Segundo a empresa, “algumas pessoas já desembarcaram e estão recebendo atendimento médico em terra, sendo tomadas medidas preventivas, como distanciamento social e reforço das regras para aumentar a higiene dentro do navio”.
A SBM Offshore finaliza a nota encaminhada à reportagem destacando que implantou um programa de resposta global que monitora de perto as operações da companhia no mundo e que “protocolos foram implementados com relação à prevenção e resposta a incidentes e planos de contingência foram criados”.