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Coronavírus

Especialistas explicam queda de mortalidade por Covid-19

A pandemia do novo coronavírus tem chamado a atenção nas últimas semanas por seu comportamento: o número de pessoas circulando nas ruas está ...

Movimentação nas ruas da Grande Vitória durante a pandemia do novo coronavírus: máscaras e álcool em gel

Última atualização

Movimentação nas ruas da Grande Vitória durante a pandemia do novo coronavírus: máscaras e álcool em gel (Foto: Arquivo/ AT)

A pandemia do novo coronavírus tem chamado a atenção nas últimas semanas por seu comportamento: o número de pessoas circulando nas ruas está aumentando, mas o Estado registra queda no número de mortes. Segundo especialistas, essa realidade pode estar ligada a vários fatores.

Professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos, Etereldes Gonçalves Júnior explicou que, em uma situação normal de pandemia, o número de casos cai naturalmente quando se atinge entre 40% e 60% da população, o que é chamado “imunidade de rebanho”.

“Esse percentual depende da taxa de transmissão de cada território. Na nossa realidade, seria em torno de 50%. Mas será que a gente já tem esse número de infectados para ter ocorrido esse evento?”

Segundo o professor, essa não é a explicação mais provável, já que o inquérito sorológico realizado em junho indicou percentual da população infectada próximo a 10%.

“Temos entre as hipóteses a questão do próprio teste do inquérito sorológico ter muitos falsos negativos, não detectando todos os imunizados. Outro motivo que pode se somar é a possibilidade de uma imunidade cruzada, ou seja, a pessoa ser imune por outro fator”.

Além, disso, ele apontou que parte da população ainda está confinada e mantém cuidados de higiene. “Somando a população não exposta à população imune, seja por já ter tido a doença ou por algum outro fator, podemos alcançar esses 50% para ter a queda”.

O infectologista Lauro Ferreira Pinto frisou que não só no Espírito Santo, mas em outros locais do País, se percebe que não é preciso ter 60% a 70% da população exposta ao vírus para a redução de casos.

“A impressão é que, em um número mais baixo que isso, mantendo parte da população isolada, a gente começa a ter queda. É possível ter imunidade cruzada por outros coronavírus que circulavam há mais tempo ou por efeito de outras vacinas”, analisou.

O médico intensivista e mestre em Políticas Públicas de Saúde Eduardo Luchi pontuou que o Estado ainda não chegou à chamada imunidade de rebanho.

Entre os motivos que podem justificar essa contradição entre a flexibilização do isolamento e a redução dos casos é a consciência das pessoas com relação aos cuidados. “Apesar de a gente ter um índice de isolamento baixo, no geral, as pessoas têm usado máscaras e evitado alguns locais fechados”.


SAIBA MAIS


Número de mortes e isolamento

O Espírito Santo tem vivido um cenário de queda no número de mortes pelo novo coronavírus nas últimas semanas. Na Grande Vitória, onde a redução tem sido mais evidente até o momento, a média de mortes por dia caiu de 21,86, em junho, para 9,5 neste mês.

Outro indicador positivo é a redução da ocupação de leitos de UTI e de enfermaria voltados para a doença. O governo do Estado já está migrando leitos que eram exclusivos de pacientes com Covid para pessoas com outras doenças.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a projeção é que, em setembro, o Estado possa sair da chamada transmissão comunitária (em que não é possível determinar onde e de quem ocorreu a transmissão) para a transmissão local.

Por outro lado, o isolamento social tem caído no Espírito Santo. Com as flexibilizações e abertura do comércio, mais pessoas têm circulado.

A taxa de isolamento na última terça-feira (28), era de 44%.

O que pode ter provocado redução

Especialistas apontam que uma possível causa da redução do número de casos e de mortes no Estado é que parte da população ainda se mantém isolada e mantendo cuidados de higiene, além do uso de máscaras.

Somado a isso, parte da população já teve o vírus e adquiriu imunidade. Eles afirmam que o Estado não deve ter chegado à chamada imunidade de rebanho, quando se tem tantas pessoas infectadas, que o número de casos começa a cair. Geralmente, isso acontece quando se chega uma média entre 40% ou 60% da população já infectada.

Outra possibilidade, de acordo com especialistas, é que esteja ocorrendo uma possível imunidade cruzada, ou seja, por outro fator além de a pessoa ter a doença. Entre as possibilidades que estão sendo estudadas, segundo eles, seria de algum outro tipo de coronavírus, uma outra vacina ou, até mesmo, mutação nas células.

Fonte: Especialistas consultados.

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