
É o que consta numa nova nota técnica — isto é, recomendação — da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) a médicos. No documento, são citados o difosfato de cloroquina e a hidroxicloroquina.
O primeiro medicamento, segundo o governo, tem ação anti-inflamatória que poderia contribuir como opção terapêutica em infecções virais, como é o caso da Covid-19.
A chamada “dose de ataque” recomendada ao paciente é de 450 miligramas (mg) duas vezes ao dia. Nos quatro dias seguintes, muda: 450 mg uma vez ao dia.
A Sesa pondera que, se o uso for feito junto com azitromicina (um antibiótico que vem sendo utilizado por alguns hospitais aliado à cloroquina), pode causar efeitos colaterais, exigindo monitoramento do paciente.
Com a hidroxicloroquina, a ressalva é a mesma, incluindo o risco de haver discrasias sanguíneas, isto é: quadros nos quais o sangue não coagula de modo adequado.
“(A hidroxicloroquina) é um derivado mais hidrossolúvel (solúvel na água) da cloroquina com características farmacológicas semelhantes à original, porém menos tóxica”, diz a Sesa na nota técnica.
A pasta lembra que há “falta de tratamentos com robusta base científica”, mas que alguns medicamentos vêm ganhando destaque na comunidade científica.
E cita um estudo francês que demonstrou efeitos benéficos na redução da carga da Covid-19 em 5 dias em 6 pacientes tratados com uma associação de hidroxicloroquina com o azitromicina. Por isso, segue indicando apenas em casos graves.
O que é cloroquina
Após o surgimento da informação de que medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina podem auxiliar no tratamento da Covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no dia 19 de março, esclarecimentos sobre as substâncias.
De acordo com a Anvisa, “esses medicamentos são registrados pela Agência para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária”. Já no final do último mês, o Ministério da Saúde (MS) divulgou que disponibilizará os medicamentos cloroquina e hidroxicloroquina para uso em pacientes com formas graves da Covid-19, a critério médico.
A decisão foi baseada em estudos promissores que demonstram o potencial benefício do uso em pacientes graves.
Nesse caso, devido à emergência em saúde pública causada pela pandemia da Covid-19, o Ministério autorizou o uso desses medicamentos a partir dos dados preliminares disponíveis. Esse é o chamado uso compassivo (por compaixão), já que não há alternativa terapêutica específica para esses pacientes.